Dia das mães

As mais lindas mãos

Há mais de 35 anos minha avó mãe de minha mãe completava 80 anos. À época meu tio irmão de minha mãe compôs uma poesia em homenagem à sua mãe. Compartilho essa poesia com muita emoção em homenagem a todas as mães que neste domingo 13 de maio de 2018 celebram seu dia – a todas elas um feliz dia das mães!

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Era ainda pequenino
Sem nada entender
Mas podia sentir
Dessas mãos o carinho.
Com seus cuidados e amor
Afetos e calor
Seguro eu me sentia,
Sereno e tranquilo dormia.

Mas, fui crescendo
Comecei a andar, a falar
A entender, a observar
E aos poucos conhecendo
Dessas mãos o valor
Que, de manhã à noite
Não cessavam o labor.

Ao romper da manhã
Na cozinha já estavam
Sem ruído ou barulho
Sempre pé ante pé
Ágeis preparavam
O saboroso café.

Assim iniciavam a jornada
Velando que nada faltasse
Ao esposo, aos filhos, à casa
A tempo e hora aprazada.

Da copa à cozinha
Do tanque à tábua
Do forno ao fogão
Da costura ao crochê
Do moinho ao pilão;
Sem um instante parar
Não percebiam o tempo passar.

Mas, haveriam de achar
Um tempo ou momento
De a Palavra de Deus estudar,
Em meditação e oração
E aos filhos ensinar
As verdades perenes,
O caminho da Luz
Da graça Redentora
De Cristo, o Senhor Jesus.

Noite avançada,
Do trabalho cansadas
Cessando o labor
Essas mãos dedicadas
Os quartos percorriam
As camas examinando
Os filhos acariciando
Ajeitando a coberta
Apalpando a testa
Em cuidados mil
Verificando, se porventura
Algum deles, estaria febril.

Chegadas à última tarefa
A devoção espiritual
Vejo-as entrelaçadas
Em atitude de adoração
Confessando e suplicando
Intercedendo e agradecendo
Ao bom Deus em oração.

Oitenta anos vencidos
Os cabelos encanecidos
Essas mãos cansadas
Quase deformadas
De longas jornadas.
Continuam servindo
Com afeto e amor
Alegria e satisfação
Seja ao filho, neto ou bisneto
Parente ou irmão.

Contemplo-as com amor
Respeito e apreço.
Por essas mãos bondosas
A Deus muito agradeço.

Minha mãezinha querida
Que me deste a vida,
De tanta coisa bonita
Que neste mundo já conheci
Suas mãos enrugadas
São o que de mais belo já vi.

São Paulo, 29 de maio de 1980

 

 

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