Conhecimento, Cultura e Estilo, Gestão empresarial, Gestão pessoal, Governança, Informação

Pela transparência e, acima de tudo, pelo controle das contas públicas

Temos visto uma avalanche de novas informações a todo o tempo sobre as contas públicas, muitas delas nos surpreende pois não conhecíamos e nem sabíamos como ter acesso. Temos até uma nova expressão para tudo que não sabemos sobre as contas públicas: “vamos abrir a caixa preta “, em alusão a famosa caixa preta dos aviões que grava toda informação de voo e, para matar a curiosidade de todos, não é preta!2020-03-29 (5)

Temos notado também que há uma grande variedade de empresas, ou melhor, entidades que permanecem nesse intervalo entre puramente pública e puramente privada; são entidades em muitos casos de natureza jurídica privada, mas de caráter público, pois gerem, fazem a gestão de bem público. E aqui de início pensamos apenas em dinheiro, derivado dos impostos que pagamos, mas temos muitos outros bens públicos sendo geridos continuamente por entidades públicas por inteiro e até por entidades privadas.

Então, por qual razão chegamos a esse ponto de tanta caixa preta em todo o sistema de gestão do bem público? Certamente, pela falta de uma série de ferramentas de gestão, muitas delas carimbadas de governança já que assim têm um charme maior, que não têm sido aplicadas de forma abrangente, contínua e recorrente.

A começar pela mais óbvia de todas, a contabilidade!2020-03-29 (7)

A contabilidade foi concebida por um frei da igreja católica para o registro e controle das arrecadações, dos dispêndios, obviamente, e do patrimônio. Desde então a contabilidade evoluiu muito, muito mesmo. Hoje já temos o conceito da contabilidade para o setor público, as chamadas IPSAS.

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) disponibilizou, na íntegra, as Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (International Public Sector Accounting Standards – IPSAS), editadas pela Federação Internacional de Contadores (International Federation of Accountants – IFAC), que foram traduzidas para o português em junho de 2012. Isso mesmo, 2012! As IPSAS são as normas internacionais, em níveis globais, de alta qualidade para a preparação de demonstrações contábeis por entidades do setor público.

2020-03-29 (6)Com a edição IPSAS traduzidas, a contabilidade pública brasileira dá (pode dar) um passo importante no sentido da sua normatização contábil. Em decorrência dessa nova visão, a contabilidade no setor público pode ocupar-se, como sempre deveria ter feito, do registro e da apreciação dos fluxos econômicos bem como do desempenho da gestão e da respectiva situação financeira e patrimonial, e ainda possibilitar transparência a toda a população.

Recentemente, o CRCSP tratou do assunto em um artigo que destaca: ”Assim como o profissional da contabilidade auxilia os gestores da área privada fornecendo dados que contribuem para a tomada de decisões, ele pode [e deve] contribuir para a transparência no setor público elaborando relatórios em linguagem simples e objetiva, assegurando que as informações seja compreendidas pelos cidadãos sem formação na área contábil.”

Quem não gostaria de abrir uma página de internet de uma cidade, um estado, ou do governo federal e encontrar ali um relatório contábil, financeiro, econômico e patrimonial, pronto e compreensível?

E vamos além! Não é somente a contabilidade que se modernizou e provê regras para o setor público poder “abrir sua caixa preta” de forma transparente. As auditorias externas independentes também evoluíram e estão preparadas para auditar esses demonstrativos. E se pensamos que essa hipótese e possibilidade poderia ser ficção, melhor verificarmos na própria página do governo federal americano. Está lá o demonstrativo anual das contas do governo com o respectivo relatório de auditoria. Qualquer um de nós pode consultar.

Inclusive a Lei das Sociedades por Ações, atualizada em 2007, requer divulgação desses demonstrativos, auditados, de entidades privadas de grande porte, com faturamento maior que R$ 300 milhões por ano. E o que temos visto nesses dez anos, é muito mais uma guerra jurídica pelo “não” fazer do que uma busca pelo “sim, vamos fazer e fazer da melhor forma”!anefac

Não faltam ferramentas de gestão apropriadas para “abrirmos a caixa preta” de várias entidades governamentais. O controle, a gestão, a auditoria e a transparência das contas públicas é um caminho único e necessário, em uma só direção, e deve ser buscado e trilhado tanto pelo gestor público como privado, continuamente.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em março de 2019 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Qual é a nossa próxima onda?

medina 1Já há algum tempo vimos o Gabriel Medina conquistar seu segundo título de campeão mundial de surfe. Ele comemorou segurando uma bandeira brasileira enquanto era levantado e saudado por seus fãs. Medina já havia vencido a competição em 2014, foi o primeiro brasileiro a conquistar o título, e nesses anos interinos, esteve sempre em ótima posição. Há pouco tempo, entre nossa 1ª, e esta 2ª versão deste artigo, vimos Guilherme Benchimol celebrar a abertura de capital da XP Inc. na Nasdaq em Nova York saudando os investidores com uma bandeira brasileira sobre seus ombros!

Em algumas das várias reportagens sobre essa conquista, do Medina, se reputa a ele um grande trunfo, a “regularidade”. Característica não muito presente em nossa cultura, mas de extrema relevância pois propicia grande segurança na conquista dos objetivos pretendidos. Temos certeza de que com Benchimol nas suas conquistas, tem sido da mesma forma, muita regularidade.xp-investimentos

E enquanto o Medina conquistava seu segundo título em 2018, nosso Brasil se preparava para uma nova onda de recuperação que já começou. Sob novo governo, o Brasil se prepara e busca uma nova onda de recuperação e crescimento econômico, após uma crise que muitos consideram sem precedentes. Essa fama de “crise sem precedentes” somente confirma nossa memória curta, pois antes dessa, a crise que tivemos prestes ao Plano Real também foi “sem precedentes”, e antes dela outras que já nos lembramos mais.

Em 2009, Fabio Giambiagi e Octavio de Barros organizaram um livro- coletânea, intitulado Brasil Pós-Crise, Agenda para Próxima Década. Diferentemente de Medina que conquistou seu segundo título após quatro anos, me parece que o Brasil tomou um tombo na 2ª onda no meio dessa década. Enquanto os Estados Unidos completam 10 anos após a crise de 2008/09 em um momento raro de riqueza e prosperidade, nós no Brasil estamos paupérrimos e buscando um recomeço.

Também há dez anos, a Fundação Dom Cabral lançava o livro “A Ascenção das Multinacionais Brasileiras” (em inglês: “The Rise of Brazilian Multinationals”), coordenado pelos editores Jase Ramsey e André Almeida. Com raras exceções, a maioria dessas empresas brasileiras pesos-pesados que seriam as candidatas a multinacionais, se viram envolvidas nesses 10 anos em fraudes e corrupções, públicas e privadas, de toda sorte e natureza.

Parece que não estamos preparados para as ondas de oportunidades que temos tido e sucumbimos no meio delas de forma visceral. Precisamos sair desse círculo vicioso e buscar um círculo virtuoso neste novo momento de oportunidade que se apresenta diante de nós. Precisamos pegar e nos manter no topo dessa nova onda que surge partindo para uma conquista real e verdadeira. Essa oportunidade está nas mãos de cada um dos brasileiros, empregados, empregadores, empreendedores, dirigentes de empresas, e todos nós. O governo e suas atitudes são muito relevantes, mas são um meio, não um fim em si mesmo. A conquista é e deve ser de cada um.

Em meio a essa década quase perdida desde 2008, as exceções de grandes empresas e empresários que vimos prosperar são poucas, mas louváveis e nos ensinam muito. Impossível não mencionar o grupo mundial ABInBev controlado e dirigido por brasileiros admirados e respeitados mundialmente e que há mais de uma década vinham sendo atacados pela mídia por seus métodos extremamente pragmáticos e objetivos. Ainda enquanto essa crise se formava e tomava o país, um empresário brasileiro também atingiu seu ápice demonstrando sua habilidade de pegar a onda certa não importando o clima em sua volta. Carlos Wizard Martins, consolidou e vendeu a rede de escolas Wizard em 2013 e hoje está de volta ao mercado com vários novos empreendimentos.

Gabriel Medina conquistou seu 2º título da mesma forma enfrentando ondas desafiadoras no mundo todo, em oposição a ficar somente pegando onda no litoral brasileiro. Como cita o artigo, Medina teve regularidade no seu desempenho e venceu, não importando como a onda viesse, e se podemos dizer que se há algo irregular na natureza, esse algo são as ondas do mar! Ter regularidade sobre a irregularidade das ondas, é disso que precisamos no Brasil.xp-investimentos 2

Precisamos que nessa nova onda de oportunidades os empresários e empreendedores brasileiros sejam cada vez mais regulares, cresçam e apareçam no cenário brasileiro e internacional, de forma a se tornarem exemplos admirados e que outros se inspirem e venham buscar o mesmo. Precisamos assumir a responsabilidade de sermos exemplos desse sucesso que o Brasil tanto deseja.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em fevereiro de 2019 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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O oceano azul das startups

Oceano azul 1Todos os dias vemos uma startup buscando seu lugar ao sol. As startups desenvolvem produtos e serviços e buscam transformar essas ideias em uma empresa que cresça, apareça e, acima de tudo, seja rentável. Mas, como sempre se discute, será que essa startup está realmente vendo o seu mar azul ou apenas funciona na tentativa e erro?

Uma das grandes razões para falhas numa startup é a inviabilidade do seu produto ou serviço. E é interessante notar que a falha decorre da inviabilidade e não da utilidade do produto ou serviço. Temos uma infinidade de desenvolvimentos de várias utilidades que não se tornam empresas pois são inviáveis isoladamente. Não precisamos citar aqui marcas de produtos que sempre foram úteis, mas se tornaram inviáveis e foram substituídas.

Nos dias atuais, entende-se que todas as startups passam por uma metamorfose à medida que se tornam empresas e crescem. Elas vão de organizações que lutam pela sobrevivência (à medida que buscam adequação ao produto/mercado) à construção de um modelo de negócios repetitivo e escalável e, então, à lucratividade. Logo no início uma startup já deve exercitar com clareza seu propósito. Se o propósito é ir além de um trabalho científico, então seu fundador deve se valer de ferramentas apropriadas e testar suas ideias desde o início.

E um ótimo início é o “Modelo de Negócios Canvas” ou “Canvas”. O Canvas tem sido uma grande invenção para todos, desde startups até grandes empresas. Ao contrário de um organograma, que descreve como uma empresa é estruturada para fornecer produtos conhecidos a clientes conhecidos, o Canvas ilustra a busca pelas incógnitas que a maioria dos novos empreendimentos enfrenta. As nove caixas da tela permitem visualizar todos os componentes necessários para transformar as necessidades/problemas do cliente em uma empresa lucrativa. O Canvas serve muito bem em pensar como construir empresas. Em um negócio, o objetivo é ganhar mais dinheiro do que se gasta.

Oceano azul 2Todo esse raciocínio é muito bom, mas ainda carece de se ver para onde o mundo está caminhando, para onde os governos estão apontando sua visão, as organizações não governamentais estão buscando ajustes e as grandes organizações estão direcionando seus interesses e recursos. São esses direcionadores que propiciam oportunidades para novas ideias, novas startups que eventualmente se tornarão novas organizações. E essas oportunidades surgem a todo tempo e geram grandes ondas de investimento na economia dos países. A seguir dois exemplos:

  • Prontuário Eletrônico Nacional: em uma de suas falas o presidente eleito diz: “O Prontuário Eletrônico Nacional Interligado será o pilar de uma saúde na base informatizada. O cadastro do paciente reduz custos e facilita o atendimento futuro por outros médicos, em outros postos ou hospitais. Além de tornar possível cobrar desempenho dos gestores locais”.

 

  • Rota 2030: recentemente sancionada, a lei que cria o programa Rota 2030. A Medida Provisória foi aprovada na Câmara e no Senado, e logo após a aprovação o presidente assinou o decreto-lei que fundamenta a criação do novo regime. O programa, que tem vigência de 15 anos, cria um incentivo fiscal para montadoras que invistam em tecnologia no país. O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), disse que “o Rota 2030 é absolutamente fundamental para a indústria pois concentra apoio à pesquisa e ao desenvolvimento e traz previsibilidade para o setor.”

Basta ler cada uma dessas situações para vermos grandes oportunidades. Um “oceano azul”!

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Um mar de oportunidades deve surgir para se implantar essa base informatizada do Prontuário Eletrônico Nacional e, certamente, muitos grandes investidores colocarão recursos nessa área, buscando startups com soluções para essa necessidade.

Quanto ao setor automobilístico, um dos maiores setores na economia do nosso país, o volume de recursos a ser aportado deve ser enorme, na busca por inovação e desenvolvimento. Novas tecnologias devem surgir tanto associadas a eficiência dos produtos ora existentes quanto às novidades em ampla discussão, tais como o carro elétrico, o carro autônomo e muito mais.

As oportunidades para as startups são enormes no dia a dia das pessoas e empresas, e estão associadas diretamente com a realidade da sociedade. Necessidades básicas de locomoção e mobilidade em massa têm gerado uma demanda por novos produtos e serviços a todo tempo. E o amadurecimento e envelhecimento da sociedade gera necessidades na área de saúde que ainda não foram mensuradas e muito menos atendidas.

Uma startup alerta para as necessidades sociais em massa e alinhada com o direcionamento dos governos, das organizações não governamentais e das grandes organizações empresariais sairá na frente com produtos e serviços inovadores que, eventualmente, se tornarão organizações empresariais de sucesso.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em janeiro de 2019 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Coisa de artista, brasileiro

amyr_klink_6Há pouco mais de 1 ano completamos mais um processo eleitoral em nosso país. A despeito dos resultados e em quem votamos versus quem foi eleito, o processo – como sempre – foi um sucesso. Há anos, décadas, temos tido um processo eleitoral louvável e admirável para o resto do mundo.

A tecnologia, hoje, nos permite conduzir esse processo em todo nosso país, simultaneamente, e de forma harmoniosa. Mesmo nos lugares mais remotos, as urnas chegam, funcionam e cumprem seu propósito. Acima de tudo, o povo, cada um de nós, cumpre sua finalidade.

Uma vez que as eleições confirmaram nosso próximo governo, pudemos seguir em frente e continuar cumprindo nossa parte nesse papel tão importante, de fazer o nosso melhor, seja para nós mesmos, para nossa família, nossa comunidade e sociedade e nossa empresa; mesmo que não sejamos donos ou proprietários, somos parte integrante do sucesso da empresa em que trabalhamos.

Se somos um país exemplar no processo eleitoral, então também podemos ser exemplares nas questões ambientais, sociais e, acima de tudo, econômicas. Sem uma economia estável, previsível e profícua, não há como tratar as demais questões. Sem geração de riqueza não há recursos para se cuidar de tantas outras áreas em necessidade. E a geração de riqueza resulta de nosso trabalho exemplar, tal como nosso processo eleitoral._96855277_gettyimages-535449563

Nessa linha de pensamento, a importância de cumprirmos aquilo que combinamos, em tempo e forma apropriada, é a melhor – se não a única – forma de prosperarmos e gerarmos riqueza. Em seu livro, Linha D’Água, no capítulo Coisa de Artista, Amyr Klink relata seu desafio que ele mesmo resume conforme segue:

“… Dessa vez, o roteiro era mais complicado. À parte os rigores de uma volta ao mundo em latitudes altas, haveria em seguida uma lista de lugares e datas de passagem que, como um navio de linha, o Paratii 2 deveria pontualmente alcançar. O barco seria utilizado para dar suporte a uma série de quatro documentários sobre a natureza, e eu assumi o compromisso de levar em segurança câmeras [aquele que opera a câmera] distintos para os locais previamente combinados …”

E então, em dado momento, depois de cumprir o percurso combinado, Amyr Klink relata:

“… Estava contente não só por voltar com os dedos e pés de todos os tripulantes e passageiros no lugar, mas também por ter conseguido ser rigorosamente pontual num pedaço imprevisível do planeta, onde cumprir horários é difícil …”

Nos surpreendem essas palavras do navegador, e nos surpreende ainda mais a sua capacidade de superar a imprevisibilidade e cumprir o compromisso. Por outro lado, chama a atenção também nossa dificuldade diária de cumprir uma rotina de horário, compromissos, tarefas, afazeres e trabalhos do nosso dia a dia. Os exemplos do processo eleitoral e da viagem desse navegador, tão famoso, e brasileiro, seria coisa somente de artista?

Não! Claro que não. Somos brasileiros como Amyr, e eleitores, e acima de tudo, cidadãos que buscam o melhor a cada dia. Exemplos como esses mostram nossa capacidade real, que muitas vezes está acanhada e escondida por trás de justificativas desnecessárias.876369e764da3af7ad36cab8dfee4457

Cada um de nós pode se valer desses exemplos e ser um artista a cada dia nos seus compromissos e nas suas conquistas. Tal como Amyr é o capitão de seu navio, somos comandantes do nosso navio, nossa vida, navegando diariamente por momentos imprevisíveis e de grande dificuldade. E completando cada dia por inteiro e rigorosamente em tempo, mesmo que nos pareça difícil cumprir certos compromissos em certos dias tão atribulados.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em novembro de 2018 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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O dilema de uma startup

blockchain-segurança-635x399Nesses anos mais recentes e de grande crise econômica no Brasil tem se dado uma grande importância para as startups. Até parece que as startups vão resolver nosso problema econômico! Certamente que não, mas uma startup que se torne um negócio viável contribuiria em muito para a economia, caso uma vez estabelecida como negócio viável, se torne uma empresa que se desenvolva e cresça muito.

É certo, entretanto, e até um pouco romântico, ficar apenas pensando que as grandes empresas do momento um dia foram startups. Assim que uma startup se torna um negócio viável como empresa, ela precisa se desenvolver e crescer muito além do sonho inicial de resolver um problema. Um negócio somente é viável se tiver o chamado “addressable market”, expressão que para podermos traduzir, precisaremos de perspicácia linguística.

Enquanto “mercado” nos parece óbvio ser a tradução para “market”, o adjetivo “addressable” precisa ser digerido cuidadosamente. Apesar de nos parecer estranha uma tradução direta, endereçável, é a melhor tradução. Algo addressable, ou melhor, endereçável, é relacionado a/ou denotando uma unidade na qual todos os potenciais clientes ou consumidores podem ser acessados separadamente e individualmente pelo produto ou serviço oferecido.

Deixando de lado toda essa análise técnica, ainda temos a questão profunda da maioria das startups. Muitas delas não têm um mercado endereçável. Seus fundadores conceberam ótimos produtos e soluções, mas não têm mercado consumidor ou potenciais clientes, atingíveis. Não há dúvidas de que as maiores empresas do mundo nos dias atuais têm esse conceito muito bem definido e utilizado em seus negócios, basta tomarmos como exemplo a Alphabet (Google) Amazon, Apple, Facebook e Microsoft.

Temos ótimas ideias em muitas startups, mas uma grande maioria não se torna viável pois não tem mercado endereçável e acaba se tornando apenas uma pesquisa científica ou um trabalho acadêmico sem utilidade produtiva real no mundo dos negócios. Isso em oposição ao trabalho acadêmico de Frederick W. Smith, que concebeu e depois fundou a FedEx. Sua história pode ser consultada no seguinte link: https://about.van.fedex.com/our-story/history-timeline/history/

O mercado endereçável mostra a escala potencial do produto ou serviço em desenvolvimento na startup. Identificar a existência e estimar o mercado potencial são os primeiros passos para os empreendedores iniciarem seus negócios. Muitas empresas não decolam por não atentarem para esses princípios fundamentais e que evoluem constantemente.

Muitas vezes ainda o mercado já está aí e precisa apenas ser melhor servido e melhor atendido, com produtos e serviços superiores. Nas empresas que citamos anteriormente, essa situação é bem visível, cada uma delas venceu a ponto de chegar até a eliminar a concorrência.

Um grande exemplo de discernimento para o mercado endereçável, e mais ainda, para transformar as ameaças em oportunidades, é a criação do iPhone. Alguns trechos do capítulo 35 do livro “Steve Jobs”, ilustram bem essa ideia. Do livro: “Em 2005, as vendas do iPod dispararam. O produto se tornava mais importante para o faturamento da empresa, respondendo por 45% das receitas daquele ano”. Era isso que preocupava Jobs. “Ele estava sempre obcecado pelo que poderia nos afetar”, lembrou o membro do conselho Art Levinson. A conclusão a que ele [Jobs] chegou foi: “O aparelho que pode nos detonar é o celular” [como expôs Jobs ao Conselho, da Apple, à época].luz-e-escuridao-370x200

Neste caso clássico o mercado endereçável do celular já estava claramente identificado, e o que ele percebeu foi que o celular poderia evoluir e detonar o iPod. Além disso, o mercado de celulares era claramente maior no início que o de iPods. Então nada melhor do que partir para o ataque a um mercado já identificado e ávido por algo melhor e mais completo, incluindo música, internet e, porque não, telefone! Como dizem, daí para frente todos já conhecem a história.

A conclusão que chegamos é que, além de desenvolver um produto ou serviço de excelente qualidade, um passo ainda mais crítico para qualquer startup é identificar o mercado endereçável para esse produto ou serviço.

Sem saber o mercado potencial [endereçável], uma startup pode estar prospectando um mercado tão pequeno e até inatingível que será impossível gerar receita e resultado com tal empreendimento.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em agosto de 2018 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Complacência: chega de tudo bem!

Já há algum tempo fomos tomados por uma greve que teve proporções amplas. Uma vez que os caminhoneiros pararam, toda movimentação foi afetada – desde aquilo que eles transportavam até a própria movimentação das pessoas já que o combustível não sendo entregue, nenhuma movimentação seria possível acontecer.

Cada um de nós tem sua própria opinião sobre o acontecido e a forma como se deu. Certamente não concordaremos em nossas opiniões, o que é muito bom, já que a discordância leva a uma revisão da situação e, esperamos, a uma melhoria das circunstâncias.

Que precisamos de melhorias, aliás, é onde podemos buscar concordância. O preço do litro de combustível é apenas a ponta do iceberg, o termômetro. Precisamos rapidamente conter a febre, mas não podemos deixar que a causa, a origem ou ainda, aquilo que está instalado no mais profundo do nosso sistema, permaneça.

Há alguns anos, uma propaganda se valia do slogan: “chega de tudo bem”. Não podemos mais aceitar 99% e permanecer com os problemas quase resolvidos, ou com os objetivos quase atingidos. Precisamos ajustar as origens dos problemas para que eles sejam resolvidos e não se repitam, e mais: que os objetivos sejam alcançados na sua plenitude.

Mais recentemente, o autor Marcos Scaldelai se valeu do título: Você pode mais! 99% não é 100%. No livro, ele defende com propriedade essa proposta de atingirmos 100% naquilo que nos propomos. E vai além, diz que ser 100% só depende de cada um de nós. Enquanto muitos se satisfazem ao atingir 99,9% dos resultados [dos objetivos], quem realmente se destaca não se conforma. E acredito, busca realmente 100% naquilo que se propõe.

Não faltam exemplos no nosso dia a dia para confirmarmos que estamos sempre, infelizmente, quase lá! De várias formas temos tido como temas principais para a melhoria do nosso país, os temas de educação, saúde e segurança. Quantas e quantas vezes vemos situações em cada um desses três temas em que poderíamos ser 100% e não chegamos lá.credito

Por outro lado, não faltam análises de gente experiente e sábia sobre como superar essas dificuldades, seja o coletivo do ambiente brasileiro ou no individual. Mas se há tantas análises e sugestões, o que então nos impede de mudar a situação, de sermos 100%, mesmo que seja em alguns aspectos vitais de cada um desses temas de tanta importância?

Outros autores têm discutido a atuação do governo em medidas mais diretas na economia para que o Brasil possa crescer. No livro Complacência, os autores Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman demandam medidas mais incisivas por parte do governo em relação aos determinantes de crescimento da economia brasileira, em um contexto em que o espaço para crescimento a partir de estímulos [que tem sido a tônica há muito tempo] à demanda tende a se esgotar. A crítica se direciona à falta de medidas mais profundas relacionadas com a necessidade de melhorar a educação, estimular os investimentos em infraestrutura, elevar a poupança doméstica e melhorar os indicadores de produtividade.

Em um dos vários temas abordados, os autores dão título a um capítulo de “Poucos Bernardinhos”. De certa forma, essa crítica se conjuga com a visão do outro autor de que devemos buscar sermos 100% e não apenas 99%. Bernardinho, em sua trajetória, não se viu limitado pelas condições circundantes e nem passou a explicar os 99% como sendo algo satisfatório. Ele buscou e atingiu 100% naquilo que se propôs. Talvez, sim, precisamos de mais Bernardinhos.20180723170914_1200_675_-_whatsapp

Desta vez, não somente de caráter nacional e de visibilidade ampla. Precisamos de mais Bernardinhos em cada uma de nossas famílias, em nossas comunidades, nossas associações ou nossas empresas. Precisamos de gente que não mais aceite no nosso dia a dia 99% e diga: chega de tudo bem!

Quando algo não está como esperado, que tenhamos esses Bernardinhos em alerta ao nosso redor para dizer “não” e não aceitar algo quase lá e incompleto, e aprendermos. Precisamos aprender a não nos satisfazer simplesmente com o esforço, a dar um basta no “tudo bem”, em ser aquele que aceita os 99%, mas sim, sermos cada um de nós um Bernardinho na busca do 100%.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em julho de 2018 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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De volta ao básico

Há pouco tempo uma reportagem, em seu texto inicial, trazia uma conclusão fatídica: “o grande número de empresas mal administradas no Brasil limita o crescimento da produtividade do país”.

Não me parece uma grande novidade depois de pensar um pouco. Já há muitos anos, e até décadas de estudos, se fala em limitação do crescimento (não somente do país), mais especificamente da produtividade do Brasil. O que se discute muito é a melhoria da produtividade, produzir mais com o mesmo esforço e com consequente maior geração de riqueza.

A começar pelos grandes setores da nossa economia. O portal Datasebrae (http://datasebrae.com.br/pib/#setores) identifica que o setor de Serviços é o que tem maior participação na economia. No 4º trimestre de 2017, ele representou 75,2% do valor adicionado do PIB brasileiro. A indústria alcançou 21,4% e a agropecuária, 3,4%.

O setor de Serviços é amplo e complexo pela variedade de subsetores incluídos. Entretanto, provavelmente é aqui que reside a maior oportunidade de melhorar a produtividade do nosso país. A indústria, e a agropecuária, já estão bem automatizadas e o consequente efeito dessa automatização é a melhoria da produtividade. Talvez ainda tenhamos alguns gargalos na indústria e na agropecuária, tal como na logística desses setores.

A logística de carga de forma geral no Brasil ainda é muito precária e com poucas alternativas. Os obstáculos físicos e reais são enormes, tais como a falta de alternativas de meios de transporte em certas regiões e as deficitárias condições de transporte. Atingimos uma dificuldade logística tão ampla que a solução necessita, acima de tudo, de tempo para ser implementada, com planejamento e continuidade de governo após governo.

Apesar da complexidade e variedade de atividades, o setor de Serviços na sua essência está associado a produtividade individual e coletiva dos trabalhadores. Tanto o trabalho individual como o coletivo de cada pessoa têm um peso enorme na medida de produtividade diária de qualquer atividade empresarial. Muitas ideias têm sido lançadas no mercado para se melhorar a produtividade empresarial brasileira, mas a maioria delas é de natureza extrínseca.

As ideias são ótimas, mas acredito que temos conceitos intrínsecos de administração, de gestão empresarial, voltados para dentro de cada organização, que podem ser implementados prontamente.

Voltemos aos princípios básicos!2019-06-28 (1)

Tomemos como exemplo os atletas de forma geral. Eles treinam de dentro para fora. Eles se preparam para quaisquer circunstâncias, seja sol ou chuva, calor ou frio, e então buscam atingir seus objetivos dentro de um tempo certo e determinado dentro das regras previamente combinadas. Para isso, no preparo, os atletas repetem inúmeras vezes seus movimentos com parte do seu preparo, e acima de tudo, medem, tomam nota, conferem, verificam, e buscam no próprio treino melhorar seu desempenho medindo toda e qualquer variável que tenha importância para sua pretendida conquista.

Quantas vezes fazemos isso em nossa empresa, treinamos e treinamos todos de nossa equipe, para nosso compromisso diário de trabalho? Quantas vezes, diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente, medimos nosso desempenho, individual, coletivo, empresarial?

Defendo que, conjuntamente com muitas das ideais que podem ajudar a melhorar a produtividade do país, olhemos para dentro de nossas organizações e foquemos de volta aos princípios básicos de um atleta: treinar e medir tanto o treinamento como os resultados da própria atividade; medir os resultados da atividade individual e coletiva, e treinar para melhorar.plan-do-check-act.png

Melhoria de produtividade no setor de Serviços e a consequente busca por melhoria na administração de empresas como um todo no Brasil requer que comecemos pelo mais básico de todos os princípios: medir o empenho e o desempenho, das pessoas, das equipes, das atividades.

Se você não conhece Peter Drucker, deveria: ele é conhecido como o homem que inventou o gerenciamento de negócios moderno, a administração moderna. Ele escreveu 39 livros sobre o assunto e é amplamente considerado como o maior pensador de gestão de todos os tempos. E Peter Drucker é creditado com várias citações em gestão de negócios.

E aqui está uma muito importante: “Se você não puder medir, não poderá melhorá-lo”.

Quando pensamos sobre essa citação, deve se tornar imediatamente aparente como é verdade. Porque, se não podemos medir algo e conhecer os resultados, não podemos melhorar. Nos negócios, na administração das empresas, a citação de Drucker é particularmente verdadeira. Se não pudermos medir cada parte do negócio, não poderemos gerenciá-lo e fazê-lo crescer!

Como se gosta muito de dizer por aí: “back to basics”, de volta ao básico.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em junho de 2018 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Precisamos de mais gerentes

60 segundos (2)A cada dia observamos que a importância do papel do gerente aumenta, mas recentemente uma reportagem indicava que nos últimos 10 anos mais de um milhão de vagas de gerentes foram eliminadas. Eliminar a função [de gerente] nos parece um grande erro na gestão empresarial!

Afinal, o que significa a função ou cargo de gerente, ou função e cargo gerencial? Antes, porém, vale lembrar que função e cargo são distintos e se, bem empregados, teremos bons resultados.

Começando pelo cargo, entendemos como aquilo que é ou se tornou incumbência de alguém; um encargo; uma responsabilidade assumida em relação a alguém ou a alguma coisa; uma obrigação. Portanto, cargo está muito mais relacionado com a responsabilidade atribuída àquele que foi incumbido de certo cargo, responsabilizável e até culpável.

Já a função é a ação natural e própria de qualquer coisa [ou atividade]; exercício ou prática de algo, ocupação, ofício, trabalho; uso [ou propósito] a que alguma coisa se destina; o conjunto das ações e atividades atribuídas à, esperadas, ou exigidas de uma pessoa.

Na gestão empresarial precisamos ir além do cargo e da função, é necessário lembrar da importância do papel [que engloba tanto o cargo como a função] do gerente em uma organização. Basta lembrar que gerente é aquele que administra negócios ou serviços; é a função de uma pessoa que tem como responsabilidade a gerência, a gestão, o gerir algo na sua essência.

Notamos que a própria lei trabalhista usa sentenças que denotam a importância do gerente, inclusive considerando-o como cargo de confiança e com respeito ao propósito do gerente.

“assim considerados os exercentes de cargos de gestão”

Se não bastassem tantas evidências para a importância do papel do gerente em todas organizações, lembro-me de uma que, na minha opinião, supera todas as outras: o livro: “O Gerente Minuto”! e agora, “O Novo Gerente Minuto”!

60-segundos onlineEsta edição atualizada, com nova tradução, do best-seller “O Gerente Minuto”, lançado originalmente em 1981, revolucionou o conceito de liderança, que passou a ser associado à agilidade. O mundo mudou muito nas últimas três décadas desde a primeira versão, mas a importância do papel do gerente nas organizações somente aumentou. Hoje, as organizações precisam atuar com maior rapidez e menos recursos para acompanhar as constantes mutações na tecnologia e globalização, e o papel do gerente ainda é de maior importância. Este livro foi traduzido para mais de 35 línguas diferentes e teve mais de 10 milhões de cópias vendidas da primeira versão. Vamos ver até onde vai a segunda versão.

Expandindo um pouco o conceito da função de gerente, temos no novo Dicionário Aurélio o significado da palavra gestão “ato de gerir; gerência, administração”. Qualquer problema que é generalizado, persistente ou sem precedentes é improvável que seja resolvido isoladamente com inteligência artificial. Vamos sempre precisar de um gerente, para gerir, gerenciar ou administrar tais problemas.

O que os gerentes podem, realisticamente, esperar da inteligência artificial é que não seja uma pilha de análises e relatórios, baseados no passado e naquilo que inserimos na sua base anteriormente. Embora tenha havido avanços no processamento e análise de informações, os sistemas informatizados dão suporte à decisão e confirmam a sabedoria comum de que poucas funções de gerenciamento foram ou serão realmente automatizadas. Em vez disso, os aplicativos de inteligência artificial estão sendo desenvolvidos e usados para apoiar o gerente responsável por estabelecer e implementar decisões, em vez de substituí-lo. Em outras palavras, as pessoas em um número crescente de organizações estão usando o que muitas vezes são chamados de sistemas de IA (inteligência artificial) de apoio à decisão para melhorar sua efetividade gerencial.

Podemos notar a importância de uma função, de um papel ou de um cargo nas organizações intensamente discutida, lida e aprendida. Há muitos outros livros que buscam discutir essa função em todas suas facetas e os seus benefícios para as organizações – e ainda se vê notícias de que vagas de gerentes estão sendo eliminadas e foram eliminadas nos últimos 10 anos, maciçamente!

bussola e mapaSão os gerentes nas organizações que mais participam ativamente na gestão das atividades centrais [“core”] de uma empresa, que gerem essas atividades e pessoas no dia a dia, e que, conjuntamente, com suas equipes as executam. Até por essa razão [e muitas outras] os gerentes são considerados cargos de confiança, pois de forma geral são eles os responsáveis pela gestão dos relacionamentos de uma organização com as diversas partes interessadas, internas e externas.

A função gerencial nas organizações é de extrema importância e de muita responsabilidade e, como tal, deve ser tratada dessa forma por todos.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em abril de 2018 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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A real globalização do mundo está nas pessoas

Globalizacao 1 debris-1974368_1920-copy-1170x508Já há décadas ouvimos, vemos e observamos a chamada globalização. Aparentemente, se evoluiu da internacionalização das corporações para as multinacionais e agora, mais recentemente, temos as chamadas companhias globais. Difícil é ficar dando definições e esclarecimentos para cada um desses carimbos que nós mesmos criamos, mas agora é certo que uma companhia global é muito mais que uma apenas internacional ou multinacional.

Talvez de uma forma simples e direta podemos notar que uma empresa internacional é aquela que vende seus produtos e, eventualmente, compra seus suprimentos internacionalmente para e de mercados além do seu país de origem. Já a empresa multinacional vai um passo além, tem bases estabelecidas em vários locais de outras nacionalidades e como o próprio título expressa, são multinacionais, multinacionalidades.

Por fim, a empresa global, não somente compra e vende ou opera em alguns países além do seu próprio país de origem. Uma empresa global tem sua natureza global prioritariamente pelo destino de seus produtos e serviços e independe da origem de seus suprimentos. Sua natureza global está naqueles que se suprem dessa empresa, de forma local, em todos os locais do mundo. Não preciso citar aqui alguns nomes, pois sei que cada um de nós já percebe e se lembra de vários nomes com essa natureza.

Globalizacao 2 geo-2Os editores Jase Ramsey e André Almeida no livro “The Rise of Brazilian Multinationals”, por meio dos colaboradores do livro, discutem longamente em um dos capítulos a importância cultural na internacionalização de uma empresa. Eles trazem a luz da discussão as teorias sobre esse tema e a interação da cultura com a gestão de uma empresa, seja ela internacional, multinacional ou global. O que vemos já há anos e mais recentemente com a real globalização mundial sustentada pela internet, é que uma empresa global precisa ter pessoas de todas as naturezas, locais, globais, e acima de tudo globalizadas.

São as pessoas que realmente serão capazes de propiciar a uma empresa as condições de serem globais. Os consumidores também serão dessas três naturezas. Teremos os consumidores locais que sequer querem saber a origem da empresa, o que lhes interessa é o produto de boa qualidade, bom preço, e que funcione bem. Já as pessoas globais estão mais alertas para a natureza do produto e pela possibilidade do seu uso e benefício além das fronteiras, pois os consumidores globais consomem localmente e usam globalmente.

Agora os consumidores globalizados, esses são os mais desafiadores e realmente testam a capacidade de uma empresa ser ou não global (e não meramente ser internacional ou multinacional). Esses consumidores globalizados são capazes de consumir (seja produto ou serviço) de forma global, conhecem diversas fontes, vários provedores do mesmo produto ou serviço e são capazes de comparar, testar, e então comprar globalmente. Uma empresa realmente global terá clientes e consumidores com essas características.

Globalzacao 3 conjuncoes_em_inglesEsse fenômeno já tem nome: “Third Culture Kids” ou TCK, cunhado por alguns doutores no assunto. Esses doutores, ao pesquisarem sobre as características dos filhos de militares, diplomatas, acadêmicos, profissionais da indústria privada e outros profissionais, que criam seus filhos em outras culturas, adotaram essa expressão.

Essa terceira cultura não é simplesmente uma junção de culturas a que essa pessoa foi exposta, mas como expõe a autora Lois Bushong, “é um estilo de vida distinto, compartilhado por pessoas que vivem entre culturas, pessoas que se alternam com facilidade entre sociedades e línguas, e tem sua identidade cultural forjada (modelada) nisso.

Companhias globais já têm em seu bojo profissionais com essas caraterísticas e, por isso, têm se tornado globais no fornecimento de produtos e serviços de forma a competir localmente com toda e qualquer empresa local, colocando em risco a tão vangloriada cultura local como alicerce para a sustentação de um negócio.

São os adultos jovens, os adolescentes e as crianças, como consumidores com essa terceira cultura que darão e já estão dando a sustentação dos negócios locais, que tem se modernizado e adotado modelos de negócios transculturais de produtos e serviços e, acima de tudo, de gestão.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em março de 2018 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

 

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A busca da autorrealização

Com a chegada e início de um novo ano, muito se discute sobre o que esperar dele. Mas por que ao invés de esperar, não buscamos algo, nesse ano novo que se inicia?a hora de agir

Uma busca constante do ser humano é pela autorrealização. Mesmo que todas as nossas necessidades estejam satisfeitas, podemos até muitas vezes (se não sempre) esperar que um novo descontentamento e agitação se desenvolva.

Como se diz: um músico deve fazer música, um artista deve pintar, um poeta deve escrever, se cada um deles quiser ser finalmente feliz. Aquilo que um ser humano pode ser, ele deve ser.

Notemos que na teoria da motivação humana de Maslow, a autorrealização está no topo da pirâmide – o ser humano busca antes satisfazer outras quatro necessidades e numa certa ordem de prioridade: primeiro ele satisfaz suas necessidades fisiológicas, depois de segurança, então as necessidades sociais, que depois o leva para a necessidade de autoestima, e finalmente a busca da autorrealização.

Enquanto as três primeiras necessidades, fisiológica, de segurança e social, são aparentemente mais óbvias de se entender e satisfazer, quando caminhamos para as próximas duas, o entendimento e a própria satisfação dessas necessidades se complicam.

As consequências, os reflexos das três primeiras necessidades são mais voltados para o próprio ser humano individualmente, sem um reflexo percebido na sociedade caso não satisfeita. Mas a autoestima é uma necessidade, uma busca, tanto de natureza individual como coletiva, e com grande impacto na sociedade. A conquista ou não da autoestima tem um reflexo muito forte em retorno e com grande impacto em cada um de nós e em toda sociedade.

O trabalho que temos como nossa atividade principal, tem parte significativa na autoestima do ser humano, principalmente pelo seu efeito concreto de ser útil, de se ter valor para algo em prol de alguém ou alguma entidade. E a falta de oportunidade de trabalho para as pessoas afeta toda uma sociedade de forma significativa, inclusive e, principalmente, dificultando seu desenvolvimento e crescimento, tirando concretamente seu ânimo.

Apesar da dificuldade que se vê na busca de trabalho, há oportunidades profissionais associadas às necessidades básicas do ser humano a todo o tempo e em todo lugar. Basta vermos essas oportunidades de fazermos algo melhor nos inúmeros aborrecimentos que enfrentamos no nosso dia a dia: a fila nos bancos, o caixa eletrônico que não funciona e o sistema de internet que cai; os asteriscos espalhados nos contratos e anúncios de ofertas, e até nos cardápios de restaurantes de comida rápida; e tem ainda a entrega atrasada ou que não chega, a assistência técnica que não se encontra disponível ou não resolve nossa necessidade. Não faltam oportunidades de trabalho, talvez falte emprego, mas não falta trabalho a todo tempo.take control

E se o trabalho nos propicia autoestima, por meio dele certamente podemos buscar a autorrealização. Seguramente através dele encontramos de forma mais precisa nossa vocação, aquilo que temos de melhor para nos propiciar a autoestima e a autorrealização.

Então é melhor continuarmos nossa busca pela autoestima e autorrealização neste novo ano do que esperar pelo desconhecido; melhor não deixar a vida nos levar, não deixar ser ou acontecer (don´t let it be) de qualquer forma, mas sim fazer acontecer, buscar neste ano que se inicia ainda mais nossa autoestima e nossa autorrealização.

Quais são nossas ambições, nossos desejos e nossas reais possibilidades para este começo de ano? Estamos buscando poder e influência, retorno financeiro maior, projeção profissional e reconhecimento social, independência e autonomia, segurança e estabilidade. Sempre é bom lembrarmos que não há escolha perfeita.

Não importa nossa preferência para 2018, não devemos esperar por aquilo que o ano novo vai nos trazer, mas sim buscar por aquilo que queremos e que nos propicie autoestima e autorrealização.

E em nossa busca, devemos sempre nos lembrar que os seres humanos não são perfeitos, mesmo as pessoas auto realizadas. Não somos perfeitos, nenhum de nós.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em janeiro de 2018 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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