Conhecimento, Cultura e Estilo, Gestão empresarial, Gestão pessoal, Opinião

Dicas de produtividade para o nosso dia a dia

Aproveito esta oportunidade para reproduzir, contextualizado, o artigo publicado no site “Entrepreneur” em 2017. Esse artigo nos traz de forma simples, organizada e objetiva, boas dicas de produtividade para nosso dia a dia no trabalho, e que se aplicam também em outras partes de nossas vidas.

Produtividade tem tudo a ver com eficiência – fazer mais, mais rápido e com menos [tempo]. E com as demandas crescentes do dia a dia, a qualquer hora, em qualquer lugar, nunca foi mais importante ser produtivo. Para obter o máximo do nosso dia, precisamos nos concentrar em três segmentos da nossa vida.

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Tempo: Os seres humanos são notoriamente pobres em multitarefas, portanto, gerenciar o tempo é fundamental para melhorar a produtividade. Todos nós sabemos o nosso desejo enorme de ler o e-mail que acabou de chegar ou dar uma olhada na última notificação de “pop-up”. Essa troca involuntária de tarefas consome mais tempo do que imaginamos. Para evitar isso, devemos planejar nosso dia e agrupar as interrupções inesperadas:

  1. Começar o dia com o tempo próprio estruturado: percorrer o e-mail e atualizações de mídia social que se amontoaram durante a noite e fazer uma triagem do volume acumulado. Eliminar assuntos com respostas rápidas e redirecionamento. Agendar as tarefas maiores. E apagar o material informativo ou não importante.
  2. Usar o tempo de viagem para completar as tarefas de comunicação rápida: é sempre bom usar o tempo de locomoção para ganhar tempo com tarefas rápidas, de forma segura, é claro. Obter uma atualização sobre tarefas e projetos em abertos e saber se precisamos nos envolver. Ao chegarmos ao escritório, já temos uma ideia do andamento de várias tarefas e projetos.
  3. Reduzir o tempo de todas as reuniões em 25 porcento: provavelmente, teremos a mesma quantidade de trabalho feito, pois sempre há tempo desperdiçado em reuniões com a chegada de todos, a configuração da sala e da agenda, até que se realmente comece a reunião. E há também um certo tempo desperdiçado no final.
  4. Programar pausas regulares durante o dia: correndo de uma reunião para outra não é produtivo, pois nos cansamos, e perdemos o foco. Devemos bloquear o tempo na agenda diária, e fazer pausas. Fazer dessas pausas uma rotina aumenta a previsibilidade, criando uma programação regular para manter nossa mente organizada.

Espaço: refere-se ao ambiente – local de trabalho, bem como ao nosso espaço virtual. O espaço de trabalho pode não ser a fronteira final, mas é um elemento importante para aumentar a produtividade do trabalho. Aqui estão algumas dicas relacionadas ao espaço:

  1. Trabalhar “offsite” ou “home-work” quando faz sentido: quando precisamos escrever um documento ou pesquisar um tópico, a ausência de interrupções do escritório irá melhorar a concentração.
  2. Consolidar o número de lugares que precisamos ir para obter informações: consolidar essas ações e rotinas tanto geograficamente, dentro do nosso escritório como no tempo, dentro na nossa agenda e rotina diária é fundamental no nosso dia a dia.
  3. Desativar notificações “pop-up” em dispositivos móveis e na área de trabalho: não deixemos que os aplicativos interrompam nossa concentração com mensagens irritantes, o tempo todo. Vamos desativá-los, desliga-los, agora. E, limitarmos a verificação do e-mail para horários definidos durante o dia. Nós não vamos nos arrepender.

Mentalidade: do original em inglês, “mindset”. Vamos nos colocar em uma posição onde podemos nos concentrar em fazer a tarefa certa para aquele momento:

  1. Conversar, não mandar e-mail: peguemos o telefone ou andemos pelo corredor e vamos conversar diretamente com os colegas. Para pessoas geograficamente remotas, usemos o chat. A quantidade de tempo desperdiçado perpetuando cadeias intermináveis ​​de e-mail é espantosa – e os erros inúteis gerados.
  2. Cortar grandes problemas em pedaços menores: isso irá reduzir a sensação de sobrecarga e a procrastinação associada com o início de grandes projetos. Ter uma etapa e uma solução à mão durante todo o processo reduz a ansiedade de enfrentar e executar grandes projetos.
  3. Usar listas de verificação para tarefas repetitivas para reduzir erros: especialmente quando estamos sobrecarregados ou se está trabalhando sob restrições de tempo, listas de verificação nos mantem na trilha certa.

E é sempre bom lembrarmo-nos de que, se mudarmos a forma como agimos, então teremos certamente mudanças, e com resultados concretos para nós mesmos, de maior eficiência – fazendo mais, mais rápido e com menos.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em abril de 2017 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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As lições de Hollywood

Nosso dia a dia no mundo dos negócios inclui uma série de conceitos que são amplamente discutidos e promovidos pelos mais variados e renomados palestrantes. Vemos continuamente alguém promover atitudes e comportamentos que certamente vão nos propiciar sucesso em algo que fazemos. Muitos desses hábitos [compostos por atitudes e comportamentos] estão intimamente ligados a nós mesmos e não notamos o que de fato está acontecendo no nosso dia a dia.

Que tal, então, tirarmos proveito de algumas cenas dos filmes de Hollywood para fixarmos melhor alguns hábitos que devemos perseguir no nosso dia a dia? Que tal assistirmos aos filmes com um olhar além do entretenimento e tirarmos grande proveito disso, enquanto nos divertimos?

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Selecionei a seguir três filmes que contém cenas muito interessantes para fixarmos alguns desses conceitos. E, consequentemente nos lembrarmos desses conceitos no nosso dia a dia e podermos concretamente praticá-los. Identifiquei três conceitos que valem a pena reforçarmos: cumprirmos o horário combinado, cumprirmos o cronograma combinado e agradecermos à equipe que nos apoiou.

Cumprir o horário combinado: no filme “A Sentinela” com Michael Douglas e Kiefer Sutherland, em dado momento o agente representado por Sutherland recebe em sua sala, com hora marcada, a agente representada pela atriz Eva Longoria e o diálogo segue:

David Breckinridge [Kiefer Sutherland]: Você está atrasada.

Jill Marin [Eva Longoria]: É um minuto passado [do horário].

David Breckinridge: Sim. E isso te faz [estar] atrasada.

Vale reforçar aqui a frase final do agente David Breckinridge onde ele afirma que sim, um minuto de atraso não deixa de ser um atraso. Quantas e quantas vezes buscamos desculpas para esse atraso, que apesar de ter a aparência de irrelevante, não altera a realidade, pois um minuto de atraso já é atraso.

Cumprir o cronograma combinado: no filme “Star Wars: Episódio VI – O retorno de Jedi”, Darth Vader vai fazer uma inspeção da construção da segunda estrela da morte, e o diálogo em parte segue:

Moff Jerjerrod: Senhor Vader. Este é um prazer inesperado. Somos honrados pela sua presença.

Darth Vader: Você pode dispensar as gentilezas, Comandante. Estou aqui para colocá-lo de volta no cronograma.

Jerjerrod: Garanto-vos, Senhor Vader, que os meus homens estão trabalhando o mais depressa possível.

Vader: Talvez eu possa encontrar novas maneiras de motivá-los.

Jerjerrod: Eu lhe digo que a estação estará operacional conforme planejado.

Vader: O Imperador não compartilha sua avaliação otimista da situação.

Jerjerrod: Mas ele pede o impossível! Preciso de mais homens!

Vader: Então talvez você possa dizer a ele quando ele chegar.

Jerjerrod [alarmado]: O Imperador está vindo aqui?

Vader: Isso é correto, Comandante, e ele está muito descontente com sua aparente falta de progresso.

Jerjerrod: Vamos dobrar nossos esforços.

Vader: Espero que sim, Comandante, por sua causa. O Imperador não é tão indulgente quanto eu.

Vemos no início da conversa que o propósito da visita não era apenas cortesia, mas sim para colocá-los de volta no cronograma. Todo projeto deve ter um cronograma e esse cronograma deve ser cumprido. O melhor será sempre recebermos nossos superiores e clientes para uma visita de cortesia e podermos afirmar que estamos dentro do nosso cronograma.

Agradecer: no filme “Os Mercenários 3”, logo no início, a primeira ação mostra Barney (Sylvester Stallone) e sua turma de mercenários resgatarem Doc (Wesley Snipes), um dos integrantes originais do grupo, que estava preso há oito anos. Logo em seguida, eles devem partir para cumprir uma missão, entretanto, conforme esse primeiro momento se completa, em duas ocasiões há uma circunstância de agradecimento, com um diálogo bem sucinto. O primeiro logo após retornarem a base provisória com o helicóptero de resgate:

Barney para Doc: Ei, você quer agradecer ao pessoal?

Doc para Barney: O pessoal? Onde está nosso pessoal?

E Doc disfarçadamente sai do assunto.

E após decolarem de avião da base provisória, já no avião, novamente:

Barney para Doc: Você agradeceu ao pessoal, que te ajudou? Diga alguma coisa.

Doc para o pessoal: Ouçam! Já se passou um longo tempo desde que eu tive uma razão para dizer obrigado … então eu só quero … vocês sabem … obrigado!

Um filme sem nenhuma pretensão visível nos traz de forma tão simples, a importância de agradecermos por algo que nos fizeram, por mais difícil que pareça.

Então temos aí três hábitos [compostos por atitudes e comportamentos], de grande valor no nosso dia a dia, tanto profissional como pessoal, de cumprir o horário combinado, cumprir o cronograma combinado e agradecer pelo trabalho feito.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em março de 2017 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Profissões em alta nos últimos 500 anos

Muito se tem falado, escrito e ensinado neste século sobre carreiras. Afinal, uma grande parte de nossa vida será vivida trabalhando, então, que seja em algo bom e proveitoso. Muito se tem feito também para orientar os jovens a escolherem bem sua formação, sua profissão e terem uma carreira profissional de sucesso.

Enquanto sucesso pode ter significado diferente para cada um de nós, trabalhar tem significado muito semelhante a todos. Já tem sido discutido e ensinado pelos psicólogos que o trabalho tem parte significativa na autoestima do ser humano, principalmente pelo seu efeito concreto de ser útil, de se ter valor para algo em prol de alguém ou alguma coisa. Notadamente, se ouve que pessoas que viveram muito, trabalharam até seus últimos dias de vida e, certamente, isso lhes deu mais vida e maior realização.

No livro de Walter Isaacson sobre a vida de Einstein, conta-se que até suas últimas horas de vida ele ainda estava desenvolvendo suas teorias. Foram encontradas folhas de estudo caídas no chão ao lado se sua cama no hospital logo após ele falecer.

flat,800x800,075,fContinuamente estamos ouvindo sobre grandes mudanças no mundo, que tudo vai mudar nos próximos anos e que muitas profissões deixarão de existir. Porém, tenho muita dificuldade em aceitar integralmente essas afirmações. A maioria das profissões permanece a mesma há muitos anos e são seculares, o que varia são as características e as especialidades delas, que se desencadeiam em atividades diferentes dentro de um mesmo ramo profissional.

A medicina, por exemplo. Não faltam relatos históricos de médicos há muitos séculos. Um deles inclusive escreveu um evangelho relatando a vida de Jesus, o médico Lucas, há mais de 2.000 anos atrás. Há também o livro “O Físico”, de Noah Gordon, que conta a história de um homem para quem o bem-estar da humanidade vem em primeiro lugar. O livro, erroneamente traduzido, uma vez que o título original “The Physician” se traduziria para “O Médico”, se tornou muito famoso. Este livro é mais um indicativo dessa fascinante profissão que já existe há séculos e que não vai acabar tão cedo, pois enquanto existirem pessoas, existirão médicos.

A engenharia. Há muitas evidências de que a origem dessa profissão se mistura com a história das civilizações, como disse o engenheiro Nízio José Cabral em plenária no CREA, fazendo valer a frase célebre entre os profissionais da área: “A história da civilização é a história da engenharia”. As evidências incluem principalmente as edificações antigas e que subsistem até os dias de hoje, e as grandiosidades da engenharia moderna que inclusive levaram o homem à lua. A importância dos engenheiros foi longamente exposta por uma reportagem há alguns anos intitulada “A falta que bons engenheiros fazem”, na revista Exame. Uma ótima base para nossa reflexão sobre mais uma profissão secular e que produz tanto impacto positivo em nossas vidas.

A advocacia. Quem não se lembra do filme de muito sucesso chamado “Advogado do Diabo”, sobre uma profissão que encontramos em todo lugar? Quem também não se lembra de Scott Turow, advogado e escritor de vários livros com versões traduzidas e vendidas em milhões de cópias, e que inclusive teve vários dos seus livros reproduzidos em filmes? Quem nunca teve nenhum contato com um advogado, certamente ainda terá. Toda vez que sentimos nossos direitos abusados, buscamos sempre um advogado para defendê-los. A formação de um advogado inclui saber profundamente as leis e os usos e costumes de um povo, para que possam exercer sua profissão da melhor forma. Tem-se na Grécia e no Império Romano as raízes do Direito e as origens da advocacia. Não me parece haver dúvidas da necessidade humana do advogado, profissional que já existe há séculos e que vamos continuar precisando por muito tempo.

A contabilidade. Recentemente vimos no cinema o filme “O contador”, que usa uma profissão – algumas vezes tida como sem qualquer emoção, se transformar em um excelente filme de ação com muita emoção. O pensamento contábil e a profissão de contador desenvolveu-se na idade média com o surgimento do estudo “Contabilidade por Partidas Dobradas” (tractatus de computis et scripturis) do Frei Luca Pacioli. A contabilidade entrou no ramo de conhecimento humano e deu origem a sistematização dos registros, consequentemente ajudando a estabelecer o controle das inúmeras riquezas que o mundo apresentava. Várias medições de riquezas que são feitas nos dias de hoje se baseiam em dados e registros sistematizados contabilmente. A própria medição que fazemos em nossa declaração de renda, nos demonstrativos contábeis e financeiros das empresas e demais entidades e nos relatórios de governo dos países, são resultado de alguma mensuração e registro contábil subsidiários.

A medicina é uma profissão que nos coloca próxima dos seres humanos desde o início da vida; a engenharia nos propicia as melhores condições de vida; a advocacia defende nossos direitos perante as circunstâncias adversas; e ainda a contabilidade nos propicia conhecimento sobre a forma de registrar e medir nossas necessidades, nosso empenho, nosso desempenho, e acima de tudo, nossa riqueza.

Estas profissões muito bem ilustram a longevidade das necessidades humanas. Elas estão aí há mais de 500 anos e continuam evoluindo a cada dia. Não me parece que profissões como essas, seculares e que lidam com as necessidades básicas e diárias do ser humano, corram algum risco de desaparecer.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em fevereiro de 2017 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Os pilares do “compliance” corporativo no Brasil

Mais um ano começa cheio de expectativas. Depois de anos operando no negativo, não há muita certeza sobre o que esperar da economia, seja crescimento, ou mesmo ainda estabilidade que se traduz em estagnação. A indicação é de que o governo brasileiro está em busca de ações que promovam essa desejada retomada do crescimento econômico.

Enquanto os indicadores econômicos não reagem, nosso principal papel como executivos, dirigentes e empreendedores não muda, e não podemos conviver com incertezas sobre o modo como proceder. Nossas empresas precisam ter, manter, ou mesmo preparar seus planos estratégicos de negócio de forma a assegurar um objetivo mínimo, de se manter o ritmo de negócios atual sólido e constante, e evitar eventuais falhas na execução operacional.

A partir da perspectiva de se ter um objetivo mínimo de manter o ritmo atual de negócios, bem como evitar eventuais falhas na execução, ou seja, de “fazer acontecer”, acredito que se inclui também o objetivo de assegurar que as operações de uma empresa estejam em “compliance”.

E vale dizer, “compliance” significa [conforme definido pelo COSO: Internal Control – Integrated Framework] no mínimo em conformidade [aderência] com as leis e regulamentações às quais a entidade está sujeita. Essas exigências de leis e regulamentações são tais que seu descuido ou abandono, podem resultar em potencial dano administrativo, fiscal ou até de responsabilidade civil e criminal, tanto para o executivo como para a empresa.

A importância da governança, gestão de risco empresarial, dos controles internos e da conformidade [compliance] é fundamental. Podemos notar isso nos guias do IBGC, o “Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa” e a orientação de “Compliance à Luz da Governança Corporativa”, e na mídia com pesquisas que mostram que a reputação de uma corporação contribui para criação de valor como a pesquisa do MZGroup: 2017 Brazil Reputation Dividend Report.

Especificamente, existem três requisitos [leis/regulamentações] de natureza abrangente e em vigor que considero os pilares do “compliance” brasileiro.  Acredito que muito mais que uma exigência, esses pilares podem ser tornar ferramentas dentro da organização para o monitoramento do compliance. Ainda, esses pilares não podem ser, de forma alguma, inadvertidamente negligenciados:

Lei Anticorrupção – Lei 12.846, de 1º de agosto de 2013. O mais popular dos assuntos no momento, e que nenhum dirigente de empresa pode negligenciar, e precisa estar ciente, monitorar e acima de tudo, se precaver da maior exposição que surge dessa nova lei. A comunidade empresarial brasileira e empresas estrangeiras fazendo negócios no Brasil devem estar cientes da maior exposição que surge desta nova lei, especialmente, a responsabilidade objetiva e disposições de responsabilidade conjunta, e devem tomar medidas para gerir a sua exposição aumentada.

Empresas que ainda não tenham tomado medidas para evitar a fraude e a corrupção, ou mesmo que já tenham mecanismos anticorrupção e antifraude estabelecidos devem se certificar de que seus códigos de ética e conduta e, principalmente, seus controles internos estão em conformidade com as disposições da lei. A Lei Anticorrupção garante expressamente que a existência de mecanismos de integridade corporativa, tais como controles internos, linhas diretas, bem como a aplicação efetiva dos códigos de conduta, será tida em conta [como atenuantes] quando as penalidades são consideradas.

“SPED” Contábil e Fiscal (Sistema Público de Escrituração Digital ou “SPED”) – Cumprimento [atendimento] na íntegra com o Sistema Público de Escrituração Digital. A Lei nº 12.973/2014, de 13 de maio de 2014, e que está em vigor desde 1° de janeiro de 2015 determinou e alinhou que os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos no Brasil (“GAAP Brasileiro”) e as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (“IFRS”) sejam a base para os registros contábeis correspondentes no Brasil.

Esses registros são os únicos no Brasil, tanto para fins contábeis quanto fiscais e, como tal, são os registros subjacentes [subsidiários] a partir do qual as declarações contábeis e fiscais são derivadas. Estes registros devem ser enviados eletronicamente para as agências fiscais brasileiras, ou seja, não há mais relatórios de papel. As empresas devem utilizar plenamente o SPED, para satisfazer os seus requisitos de informação às autoridades fiscais brasileiras.

Auditoria externa independente – Adotar modelos modernos de monitoramento da conformidade com as regras locais e regulamentação deveria ser rotina nas empresas. Há quase uma década, o governo brasileiro deu um passo significativo para a melhoria da imagem e do trânsito das empresas brasileiras no mundo corporativo e de capitais, globalmente. Em dezembro de 2007 foi promulgada e publicada a Lei nº 11.638/2007, que introduziu melhorias significativas na legislação societária original (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976). Entre as grandes novidades da nova lei está a adoção como exigência para companhias ou entidades denominadas de grande porte, o requerimento de auditoria externa independente anual, de suas demonstrações financeiras.

Enquanto a sanção correspondente para o não cumprimento desse requisito de auditoria externa independente ainda está para ser determinado, acredito que nenhuma empresa está disposta a ter uma ferramenta como esta, de rotina e útil para ajudar no “compliance”, ser a razão para a determinação de que tal entidade, de fato, não está em plena conformidade de normas e regulamentos locais.

Embora a execução e o gerenciamento de ações que são em parte, dependentes de fatores externos sejam um desafio, os executivos de uma empresa podem, pelo menos, proporcionar maior segurança ao assegurar as tarefas que estão dentro de seu controle, sejam adequadamente executadas.

Neste caso, por exemplo, tomando medidas para atender e manter a conformidade regulatória com os três pilares acima discutidos (Lei Anticorrupção, SPED contábil e fiscal, e a auditoria externa independente das demonstrações financeiras). O não cumprimento traz custos administrativos, financeiros, e de reputação adicionais, não planejados e que tornam a sobrevivência em uma economia ainda incerta, muito mais difícil.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em janeiro de 2017 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

 

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A estrada da recuperação econômica

Você está buscando a recuperação do seu negócio? Veja aqui algumas considerações imprescindíveis para o próximo ano!

Em momentos de virada de ano temos a grande oportunidade não somente psicológica, mas real, de buscarmos algo diferente no próximo ano para nossos negócios. Então pensamos em como reconciliar nossa esperança de que o Brasil possa trilhar a estrada da recuperação econômica e nossos negócios possam se beneficiar dessa recuperação. Mas como sempre digo e repito, ter esperança (em si) não é uma estratégia!

Se esperança não é uma estratégia, então como devemos atuar para que possamos trilhar essa estrada da recuperação em nossos negócios?

O PIB Brasileiro continua sendo muito grande, bem como sua população.  Desde 2010 que o PIB Brasileiro deu um grande salto e está acima de US$ 2 trilhões anuais. Mesmo com todas as dificuldades econômicas nos últimos anos, e mesmo com a instabilidade do Real (R$) frente ao Dólar (US$), ainda o valor do PIB permanece acima de US$ 2 trilhões anuais, e o Brasil é uma das 10 maiores economias.

Temos uma população grande que tem necessidades básicas a serem preenchidas diariamente e que precisam dos produtos e serviços que as empresas fornecem.  A crise econômica derrete os índices, não derrete as pessoas, em essência, os consumidores, os clientes, e suas necessidades.

Portanto, precisamos nos assegurar do modelo certo de desenvolvimento de clientes.

Blank é uma lenda entre muitos fundadores de startup por ter lançado o “lean start-up movement”, um movimento de uma start-up enxuta e principalmente, por ser o pioneiro no modelo de desenvolvimento de clientes, que está no cerne do processo de uma start-up enxuta.

O chamado modelo de desenvolvimento de clientes, que apesar de Blank tratar na ótica de uma start-up, é um conceito plenamente válido para qualquer organização e principalmente em um momento de recuperação econômica, em que os clientes foram embora durante a crise. Os dirigentes das empresas muitas vezes se iludem por dizer que eles têm essa ou aquela grande tecnologia ou visão e que eles sabem o problema do cliente. Então vamos construir a solução.

Mas a maioria das empresas falha, não por falta de tecnologia, mas porque essas empresas não encontraram a combinação correta de produto e mercado [product-market fit]. A empresa não encontrou clientes suficientes para pagar por seu produto para que [sua empresa] possa permanecer no negócio.

Saia e fale com os clientes. Blank insiste que a maioria das Startups, e acredito uma grande maioria das empresas de modo geral, quando falham, não tem nada a ver com a tecnologia. Não há fatos sobre o seu produto ou serviço dentro de seu prédio, então vamos sair. O desenvolvimento do cliente é sobre descobrir e validar a combinação correta de produto e mercado. Se uma empresa acredita implicitamente que está resolvendo um problema e preenchendo uma necessidade, então deve encontrar dez outras pessoas que tenham essa necessidade ou esse problema e descobrir como eles [os clientes] estão resolvendo ou não tais problemas ou preenchendo suas necessidades hoje, sem sua empresa?

E vamos além disso, qualifique e analise seu próprio negócio, sua atividade. Verifique se sua empresa tem a correta combinação de produto e mercado, no momento atual da economia.  Em momento de crise todos se voltam para as necessidades básicas de sobrevivência e segurança, portanto, produtos e serviços que resolvam problemas dessa natureza e atendam essas necessidades, certamente terão maior atratividade.

Outro aspecto implícito no desenvolvimento do cliente é a alternativa entre resolver um problema ou preencher uma necessidade.  Lembre-se de que resolver um problema é algo valioso e desejado, entretanto, é momentâneo e uma vez resolvido sua empresa precisa buscar outro cliente com o mesmo problema a ser resolvido.  Por outro lado, preencher uma necessidade é na maioria das vezes repetitivo e duradouro, portanto gerador de receitas continuas e por períodos longos de tempo.

Finalmente, e acredito mais importante ainda, é irmos e estarmos onde o cliente está, no momento do problema ou da necessidade.  Entretanto, não basta simplesmente tentar ser onipresente e estar em todos os lugares ao mesmo tempo, inviabilizando completamente seu negócio. Seres humanos são sociais por natureza e estarmos juntos nos faz bem. O processo de descobrimento e validação de um produto e serviço deve acontecer onde se tem a maior concentração de potenciais clientes, onde se possa realmente estabelecer um processo de desenvolvimento e fidelização de clientes.

Vale lembrar alguns detalhes das premissas estabelecidas por Steve Jobs na concepção das lojas Apple.  Como cita Walter Isaacson, a opinião de Steve era que “As lojas da Apple deveriam ficar em shoppings e em ruas principais – em áreas com muito trafego [grifo meu] de pedestres, por mais caras que fossem.”  E poderíamos até tentar contrapor essa ideia da necessidade de trafego e aglomeração, no caso produtos e serviços não de consumo, mas acredito que dificilmente teríamos sucesso se nosso produto ou serviço não fosse visto, conhecido e testado por muitos clientes.

Portanto, a estrada da recuperação econômica de cada organização, inclui certamente um processo solido e continuo de determinar a correta combinação do produto e mercado e o desenvolvimento de clientes desde sua conquista bem como sua manutenção e fidelização.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em dezembro de 2016 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Será que estamos preparados para uma retomada dos negócios!

Muito se tem falado ultimamente sobre liderança e gestão, e sobre como desempenhar nosso papel de líder bem como nossa função de gestor, de forma exemplar. Um dos grandes desafios de todo líder, na própria gestão, tem sido unir a estratégia às pessoas. Muitas empresas divulgam estratégias invejáveis em seus planos anuais e de médio prazo; têm em sua composição pessoas exemplares e admiráveis por sua formação e experiência, e mesmo assim, falham!

Enquanto na sua maior parte a estratégia é formada a partir da visão da liderança da empresa, seu fundador, diretor executivo e corpo diretivo, são as pessoas que compõem essa empresa e que irão executar essa estratégia. Essas pessoas, em cada uma de suas funções, é que darão vida à estratégia e proporcionarão o sucesso dessa empresa.

Dentre os muitos objetivos estratégicos de toda empresa, certamente alguns estão sempre em pauta. Sua estrutura organizacional; modelo de gestão e governança; o controle contínuo e recorrente de custos; e a satisfação dos clientes. E como fazer a gestão destes e de tantos outros objetivos? Acredito que o uso da Tecnologia da Informação (TI) pode ser um grande aliado, um diferenciador no dia a dia das empresas.

O uso da TI na composição da estrutura organizacional, na gestão e na governança já é uma realidade, muito presente nas empresas. Os sistemas hoje utilizados pelas empresas e organizações de forma geral vão muito além dos chamados sistemas de gestão, os famosos “ERPs”. As organizações têm sistemas mais amplos e completos que incluem a gestão, de sua estrutura societária bem como operacional, que permitem uma visualização clara do modelo, da forma e da dinâmica de gestão funcional e de responsabilidades e, inclusive, permitindo um claro entendimento de sua governança. Toda essa estrutura se conjuga com os sistemas de controle contínuo e recorrente de custos e resultados, por departamento ou unidade de negócios, ou seja, por toda a organização.

Essa estrutura organizacional, modelo de gestão e governança, bem como o controle contínuo e recorrente de custos e resultados deveria se conjugar de forma harmônica, dinâmica e efetiva entre si. Também toda essa estrutura é o chamado processo operacional dentro de uma empresa e deveria ser o elo de ligação entre a estratégia e as pessoas. Mas como saber se toda a estrutura e processos operacionais estão funcionando bem, de forma apropriada, e, acima de tudo, efetivamente.

Nada melhor do que um bom controle ou melhor, uma boa “estrutura de controle interno”. E aqui vale lembrar uma boa definição de Controle Interno, bem como seus três objetivos, pois sabemos que “controle interno” pode significar diferentes coisas para diferentes pessoas.

Definição: controle interno é [amplamente definido como] um processo, conduzido pela estrutura de governança, administração e outros profissionais da entidade, e desenvolvido [concebido] para proporcionar segurança razoável com respeito à realização [relacionada com o atingimento] dos objetivos relacionados a operações, divulgação e conformidade.

Os três objetivos do controle interno, são identificados como:

Operacional – Esses objetivos relacionam-se à efetividade e à eficiência das operações da entidade, incluindo as metas de desempenho operacional e financeiro, e a salvaguarda dos ativos contra perdas.

Divulgação – Esses objetivos relacionam-se às divulgações financeiras e não financeiras, internas e externas, podendo abranger os requisitos de confiabilidade, tempestividade, transparência ou outros termos estabelecidos pelas autoridades e órgãos reguladores, ou às políticas da própria entidade.

Conformidade – Esses objetivos relacionam-se a aderência [ao cumprimento] às leis e regulamentos aos quais a entidade está sujeita.

E aqui é que acredito, entra a conexão fundamental de TI para as organizações. Os sistemas de TI são fundamentais para assegurar que toda estrutura e processos operacionais estejam funcionando bem, de forma apropriada, e, acima de tudo, efetivamente. Obviamente, esses sistemas devem estar pautados em uma estrutura de controles internos concebida e testada.

Então, porque não promover uma revisão geral dos controles internos da organização nesta virada de ano? Com tanta evolução nos recursos de tecnologia da informação, será que estamos usando todos os recursos disponíveis para gestão de cada um dos nossos objetivos?

Depois de um longo período de tantas dificuldades econômicas, e com um alento para uma eventual recuperação da economia nos próximos anos, não seria bom estar com as estruturas e processos em dia, preparados para as oportunidades?

Quando foi a última vez que se fez uma revisão geral de controles internos na organização? Quando foi feita uma revisão geral de todos os sistemas de TI em uso, seus objetivos e resultados que cada um está propiciando?

Não importa o tamanho de uma organização, é sempre bom lembrar que os processos estabelecidos, os controles internos implementados e os sistemas de TI em uso, são fundamentais para uma operação efetiva dos negócios, ainda mais com a economia prestes a uma retomada.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em novembro de 2016 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Cinco armadilhas comportamentais, como identificá-las e evitá-las

“Por que fazemos o que fazemos”. Com esta frase, em parte, Charles Duhigg complementa o título de seu livro “O Poder do Hábito”. Então repetimos a pergunta, por que fazemos o que fazemos?

No desejo de fazermos o melhor, de forma exemplar e legitimamente, muitas vezes nos deparamos com um resultado insatisfatório. Concluímos algo e temos um retorno negativo da outra parte. Ou se não negativo, indiferente, ou ainda apenas indicativo de satisfatório, mas não grandioso como esperávamos. Nos frustramos e pensamos se faltou algo e o que seria esse algo que faltou, para deslumbrarmos o outro com nossos feitos.

Certamente a maior parte da razão para termos alguma frustração com a satisfação do outro, seja na vida pessoal, profissional ou mesmo social, tem a ver com a forma como nos comportamos.  Nosso comportamento e nossas próprias atitudes são decorrentes de nossos hábitos e nos levam a interpretar o mundo exclusivamente sob nossa ótica, gerando em nós expectativas equivocadas, que se tornam armadilhas e nos levam a frustrações.

A seguir listo cinco alertas que compilei a partir de vários estudos profissionais na minha carreira e que para nosso dia a dia são muito uteis, sobre situações em que somos pegos por nosso comportamento e hábitos e não nos damos conta previamente de que estamos equivocados, no caminho errado e entrando em uma armadilha de frustração.

“Don´t do a great job … in the wrong areas” – não faça um grande trabalho na área errada.  Muitas vezes somos pegos por essa situação, em que fizemos um belo trabalho, mas que ninguém deu valor. Quando estamos a serviço de alguém, de alguma entidade ou organização, nosso compromisso de trabalho está associado a essa pessoa e, portanto, qualquer coisa que fizermos precisa ser feita sob a ótica dessa pessoa, da necessidade e expectativa dela. Muitas vezes nosso comportamento nos leva a “sair fazendo” e nem consultamos aqueles a quem servimos sobre qual a expectativa em relação ao trabalho. Um desperdício de tempo e esforço.

“Surprises are fun, but not in …” – surpresas são boas, mas nem sempre.  Gostamos de causar surpresa, e sermos bem felizes e felicitados com essa surpresa. Gostamos de ser elogiados por causar uma boa surpresa, mas afinal o que é uma boa surpresa senão algo que em primeiro lugar seria uma boa surpresa para nós. Sabemos se realmente esse acontecimento é uma boa surpresa para o outro? E será que levar esse acontecimento no modo surpresa vai agradar? Quantas e quantas vezes vemos humor feito com o elemento surpresa e o outro é pego em situação desagradável. Será que queremos ser protagonistas de uma surpresa que causa problemas, seja ela boa ou ruim? Na vida e nos negócios, surpresas são sempre bem-vindas, na dose certa, no momento certo, e na forma certa. Portanto, nada melhor que gerirmos muito bem essas surpresas, para que mesmo algo bom não se torne desagradável e possa comprometer o bem-estar de muitos.

“Communication is key …” – comunicação é chave.  Nada de novo aqui, a princípio. Todos nós ouvimos isso diariamente, de que comunicação é chave. Já dizia um apresentador, famoso para os mais velhos, que “quem não se comunica, se trumbica”. Com tantos meios de comunicação à disposição hoje, privados e públicos, moveis e fixos, ainda vemos diariamente uma guerra na comunicação. Certamente, não estamos nos comunicando bem, ou será que estamos confundindo quantidade com qualidade? Arrisco dizer que aumentamos significativamente os meios de comunicação, uma maravilha deste século 21, mas ainda podemos melhorar nossa comunicação e a sua efetividade, de sermos compreendidos. Comunicação boa é aquela que tem a quantidade de informação certa, na qualidade (forma certa de linguagem) certa, e é tempestiva (no tempo certo).

“Have a go-forward plan …” – tenha um plano subsequente. Quantas e quantas vezes chegamos a um destino, seja ele o pretendido ou não, e então nos perguntamos: e agora? Mesmo quando atingimos um resultado positivo, o alvo pretendido, precisamos ter um plano com os próximos passos, pois a vida continua. Desde as situações mais simples e rotineiras até as mais complexas e eventuais, seja na vida pessoal, profissional e social, para vivermos plenamente, devemos sempre estar prontos inclusive para desfrutarmos das nossas conquistas. Da mesma forma que para os reveses devemos sempre estar preparados, sempre termos um plano subsequente, pois afinal a vida continua.

“Consider all resources available to you …” – considere todos recursos à sua disposição. E nos dias atuais, com uma comunicação fluida que temos a todo tempo, os recursos à nossa disposição são muitos. Alguém já cunhou a fórmula: N=1 e R=G, em que N são as nossas necessidades, únicas e, portanto, iguais a 1 (um); e R que são os recursos, iguais a G, globais, disponíveis a nós globalmente.  Desde as pessoas e equipamentos mais próximos a nós todos os dias até os mais distantes, podemos e devemos fazer uso deles para atingir nossos objetivos. Não precisamos e não devemos fazer tudo sozinhos, mesmo que a princípio nos pareça que faz sentido, devemos resistir ao nosso comportamento e buscar ajuda, buscar os recursos à nossa disposição.

Podemos notar claramente no nosso dia a dia essas cinco armadilhas comportamentais e podemos ver que elas nos afetam muito. Embora isoladamente possam parecer irrelevantes e passarem despercebidas, ao longo do tempo e de forma conjunta e contínua, esses comportamentos têm um impacto enorme em nossas vidas, desde a nossa satisfação pelos afazeres pessoais até nossa produtividade profissional. Nos próximos dias, procure identificar essas armadilhas no seu comportamento e mude. Mude o comportamento para que seu dia termine ainda melhor e você possa desfrutá-lo plenamente.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em agosto de 2016 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Cultura e Estilo, Gestão empresarial, Gestão pessoal

A gestão de pessoas nos negócios

“Ter as pessoas certas no lugar certo – o trabalho que nenhum líder pode delegar”, conforme Larry Bossidy e Ram Charan, no livro “Execução. A disciplina para conseguir resultados”.

Se vamos falar da gestão de pessoas, vamos começar pela gestão de nós mesmos. Delegar é uma arte e como tal precisa ser constantemente aprendida, reaprendida, aperfeiçoada.  Delegar é algo próprio, não se delega a função delegar.

A gestão de pessoas está intrinsicamente associada à arte de delegar. E chamo delegar de arte pois estamos tratando de seres humanos com cultura, comportamento e vontade próprias, tal como cada um de nós.  Portanto, contarmos com o trabalho de alguém em prol da organização, do nosso negócio como um todo é algo nobre, não importa o quanto cada um de nós está sendo remunerado. E da mesma forma, a gestão de pessoas tanto é uma arte como algo nobre que devemos fazer com maestria.

Ter as pessoas certas no lugar certo, então, também é uma arte.  Muitos dos quadros famosos, das músicas – tanto a melodia quanto a letra, e assim por diante, têm algo artístico. Podemos notar que os elementos de composição artística são os mesmos, nos quadros temos as cores, na melodia temos as notas musicais e na letra temos as palavras.  Todos esses elementos estão à disposição de todos nós, mas apenas alguns conseguem compô-los de tal forma que tenhamos harmonia, beleza e que produza resultados causando sensações em cada um de nós.

E vamos além, como cita o livro acima mencionado, no ambiente de negócios, há muitos elementos que as empresas não conseguem controlar. A situação econômica mundial e seus reflexos na economia dos países e nos respectivos setores produtivos é incerta tanto quanto são imprevisíveis as ações dos concorrentes e dos consumidores.  As pessoas de uma organização são o recurso mais confiável que se tem, e que pode gerar resultados excelentes, ano após ano. A experiência, habilidade e opinião de cada uma dessas pessoas na organização pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso.

A gestão de pessoas é uma atividade de longo prazo, desde a contratação, o desenvolvimento e a promoção até que esses profissionais preencham as necessidades de liderança na organização. Mesmo com toda visibilidade que se tem dado ao fator humano nas organizações, ainda notamos que muitas das preocupações dos líderes têm sido decorrente de fatores externos. Em momentos de bonança, esses líderes estão buscando tornar suas empresas maiores e mais globais do que as dos concorrentes, sem considerar que a qualidade do seu pessoal é o fator de maior vantagem competitiva que se pode ter.

A importância de se ter as pessoas certas nos lugares certos, é muito grande.  No livro “Execução. A disciplina para conseguir resultados”, os autores identificam como fundamentais os três processos-chave de uma organização, sendo eles:  Estrutura (que no livro se denomina Operações), Estratégia e Pessoas (no livro denominado Pessoal). Note-se que o processo de “Pessoas” é o mais importante deles, pois é nele que nascem as melhores estratégias e é por meio dele que se faz a gestão da estrutura. Um processo de pessoal inclui três elementos: a avaliação de pessoas de forma apropriada, precisa e profunda; um modelo de identificação e desenvolvimento de talentos; e o plano [pipeline] de sucessão e liderança de forma contínua e sólida.  Se o processo de pessoal não funcionar, nunca se realizará o potencial total do respectivo negócio.

Então por que as pessoas certas não estariam nos lugares certos? Provavelmente a começar pela falta de informação. As organizações não sabem o suficiente sobre as pessoas, seu histórico profissional e de realizações concretas ao longo do tempo. Se tais realizações estão alinhadas com os propósitos de negócios, seja na relação com fornecedores, seja na relação interna pessoal e profissional, ou mesmo na relação com clientes. Percepções precisam ser verificadas e validadas ao longo do tempo com resultados alinhados com as expectativas e dentro dos propósitos da organização.

Alguns elementos fundamentais na gestão de pessoas que devem ser considerados:

➢    Ligar as pessoas à estratégia e à estrutura (operações). Um dos elementos fundamentais de gestão de pessoas é ligar as pessoas aos marcos estratégicos de curto, médio e longo prazos da organização. Essa conexão é fundamental para o desenvolvimento, crescimento e consolidação de qualquer organização ao longo do tempo, inclusive, no alinhamento dos resultados com as expectativas e os propósitos da organização;

➢    Ligar a área de Recursos Humanos aos resultados do negócio. A área de RH precisa estar integrada aos processos-chave da organização, a começar pelo processo de pessoas, tão importante quanto aos processos de estrutura (operações) e estratégia. A conexão do treinamento, desenvolvimento e desempenho das pessoas deve ser promovida, mantida e gerida pela área de RH, como suporte para a liderança no processo de movimentação e promoção de pessoal, continuamente;

➢    Ligar a liderança ao desempenho de seu pessoal. Quando as pessoas certas estão nos lugares certos e, consequentemente, a informação sobre os indivíduos é coletada constantemente, os líderes conhecem as pessoas, como elas trabalham e produzem resultados, então a organização pode aspirar voos mais altos.

Todas essas ações de gestão de pessoas precisam estar bem fundamentadas, seja para promovê-las, movimentá-las, ou mesmo demiti-las, caso necessário.  E, dessa forma, a gestão de RH tem que ter papel fundamental na gestão de pessoas em qualquer organização. Como comentam os autores Larry e Ram em seu livro, se uma organização tem indivíduos com comportamento apropriado, uma cultura que recompensa a execução e um processo coerente para colocar as pessoas certas nos lugares (funções) certos, essa organização já tem a base necessária para operar cada um dos processos de forma efetiva.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em julho de 2016 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, Diretor Regional na Anefac Campinas, e conselheiro independente.

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Cultura e Estilo, Gestão empresarial, Gestão pessoal

A gestão comportamental dos negócios

Alguns escritores mencionam que empresas têm comportamento semelhante ao do ser humano, talvez uma forma figurativa para se fixar algumas ideias sobre como gerir o comportamento dos negócios. Entretanto, sem entrar no mérito da semelhança ou não dos comportamentos, acredito que sim, temos que gerir o comportamento dos nossos negócios. Não precisamos estudar as semelhanças entre os negócios e o ser humano, basta gerir o comportamento das pessoas que compõem uma entidade, negócio ou atividade profissional. E gerir comportamentos começa de nós mesmos, dos nossos próprios comportamentos.

Ram Charam identifica no seu livro “Execução” o conjunto de elementos que compõem uma execução de forma eficaz, rigorosa e consistente. Esses elementos são: o comportamento, a cultura, e as pessoas. E o livro trata em especial dos comportamentos essenciais do líder. Se uma organização tem líderes com comportamentos apropriados aos propósitos da sua organização, então temos aqui uma boa base para a gestão comportamental do negócio.

Nenhum negócio funciona sem pessoas. Nenhuma empresa ou entidade de qualquer natureza funciona sem que pessoas a façam funcionar. Elas são as engrenagens motoras, não simplesmente as engrenagens, mas aquelas que têm força própria e, portanto, motoras de uma organização, entidade ou empresa.

As pessoas entram para trabalhar em uma empresa com grandes expectativas sobre a cultura e comportamento da organização. Rapidamente buscam aprender e adotar os comportamentos para serem aceitas, respeitadas e reconhecidas nesse ambiente novo para elas. Certamente essas pessoas vão adotar o comportamento existente e em vigor na organização, que refletirá o comportamento do líder daquele negócio, seja ele líder de toda organização ou apenas de uma unidade remota. Como tal, esse comportamento é também a base cultural do negócio e a cultura é a consequência do comportamento, não o inverso.

Agora, se queremos mudar a cultura de uma organização teremos que começar a mudar o comportamento das pessoas, a começar pelo líder dessa organização.

É bom lembrar que tudo aquilo que acontece em nossa cabeça, afeta nosso corpo e, da mesma forma, tudo que acontece na cabeça da organização e de seu líder, afetará todo o negócio. O líder de uma empresa deve perceber e estar sempre alerta para o poder enorme que tem em suas mãos, e que raramente deveria utilizá-lo. Ter um enorme poder e administrá-lo de forma parcimoniosa é uma arte a ser cultivada dia a dia. Uma das definições do dicionário é que líder é aquele indivíduo que exerce influência no comportamento ou modo de pensar de alguém.

E para fazermos a gestão comportamental dos negócios, eu prefiro me ater àquelas ações que se alinham e se harmonizam com a concepção de visão, missão e valores, e que tratam diretamente de comportamentos das pessoas na organização. Identificamos a seguir alguns comportamentos a serem observados pelo líder, em seus vários níveis na organização, desde o principal diretor executivo até o líder de um grupo operacional ou de uma estação de trabalho. Cada líder deverá espelhar em seu comportamento premissas tais como: um propósito comum, uma boa comunicação e acima de tudo, respaldar a competência.

Um propósito comum. Se a equipe não compartilha de propósitos comuns, então essa equipe não compartilha das mesmas metas, mesmo que elas tenham sido desdobradas nos diversos níveis da organização. Não há harmonia no comportamento quando à visão, missão, valores, e as metas decorrentes se não são compartilhadas. O efeito é uma cultura fragmentada, fragilizada, fraca para enfrentar os desafios coletivos. Ter um propósito comum é como construir uma catedral, alguns assentam tijolos, outros constroem catedrais.

Uma boa comunicação. Um desafio interminável no dia a dia de uma organização já que alguns comunicam mais do que o necessário; outros, menos, e nunca todos estão satisfeitos. Algumas regras sempre nos ajudam nessa tarefa, sendo a primeira, é se questionar, se há realmente algo para se comunicar. Então devemos nos questionar, em sendo necessário uma comunicação, sua extensão e detalhes, quanto mais se explica, mais se complica. Devemos também considerar se as comunicações feitas têm natureza vertical, portanto hierárquica, horizontal e, consequentemente, institucional, ou ainda meramente informativa. Mas a regra máxima na comunicação, é ter regras pré-definidas e um processo de revisão e aprovação de qualquer comunicação a ser feita.

Respaldar a competência. Nada melhor e mais efetivo do que reconhecer a competência de uma pessoa. Reconhecer quando essa pessoa sustentou a visão da organização e executou a missão dentro dos valores previamente estabelecidos. Esse é um excelente sinal a ser enviado a toda equipe e que afeta profundamente o comportamento de todos. Quando uma pessoa zela pela competência e é reconhecida, os benefícios são abrangentes e permeiam toda organização. E, consequentemente, promovem o desenvolvimento de uma cultura de excelência.

A gestão comportamental dos negócios é certamente uma tarefa desafiadora para qualquer profissional, não importa seu cargo ou função. Basta que sua responsabilidade seja de liderar uma equipe. Todo o seu comportamento gera efeito e promove comportamentos que refletirão uma cultura no dia a dia. Podemos sempre começar pela reflexão de qual tem sido nosso comportamento diante dos propósitos comuns da organização a que pertencemos e diante da comunicação formal e informal da qual participamos.

E mais ainda, qual tem sido nosso comportamento diante da nossa própria competência. Podemos sempre nos comportar de forma a buscar e atingir nossas próprias metas e a promover uma cultura de competência, acima de tudo.

 

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em junho de 2016 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, Diretor Regional na Anefac Campinas, e conselheiro independente.

 

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Governança, Risco Empresarial

Recuperação judicial em tempo de crise

Medida é alternativa viável para empresas que estejam atravessando momentos delicados com a situação da economia. Especial [caderno] do Correio Popular de 4 de dezembro de 2016 apresenta uma panorama completo sobre o assunto: Recuperação judicial em tempo de crise.correio-popular-jfogaca-img_0282

Como diretor-adjunto da ACIC, contribuímos com a seção: Micro e pequenas [empresas] são as mais afetadas.  Veja texto completo.

Micro e pequenas empresas foram as mais afetadas pela crise econômica que atingiu o pais nos últimos três anos. Algumas empresas aparecerão nos indicativos de falência no próximo ano.  Ainda há resquícios muito grandes da economia ruim. A preocupação é que 2017 poderá apresentar falências iniciadas no ano anterior.

O tempo médio de ajustes da demanda é de três a seis meses. Devemos entrar em 2017 no processo de recontratação. A melhora só deve acontecer a partir do segundo semestre. Também vai depender do realinhamento dos planos dos governos federal, estadual e municipal.

Se você quiser saber mais sobre a recuperação de empresas, assista o Minuto ACIC no Café Empreendedor, no link a seguir: Minuto ACIC no Café Empreendedor

 

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