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O empreendedorismo promove o crescimento

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É natural compararmos o Brasil com os demais países para traçarmos uma linha de raciocínio de desafio e melhoria. Durante muitos anos usamos os chamados BRIC, que depois se tornaram BRICS, para compararmos os indicadores e como sempre muitas vezes apontávamos os fatores negativos como resultado da comparação.

Vamos nos lembrar de que o BRIC foi cunhado como sendo: Brasil, Rússia, Índia e China; depois veio o “S” de “South Africa”, África do Sul. O criador do termo foi Jim O´Neill, que há aproximadamente 20 anos assinalou esse termo em um relatório que apontava as tendências da economia global para os próximos 50 anos. Depois de 20 anos nem sabemos se esse termo e esse chamado “bloco” fazem sentido. O termo foi criado, mas de fato seu objetivo foi orientar os investidores e não os países componentes que simplesmente receberam essa designação de “emergentes”!

Contextualizamos essa visão para notar que, de fato, talvez do ponto de vista do investidor da Europa e Estados Unidos, há 20 anos, faria sentido, mas do ponto de vista intrínseco de cada país, suas reais semelhanças mais profundas são poucas, pouquíssimas. Isso sem notar que as chamadas semelhanças nos potenciais de fato eram necessidades profundas de cada um e que teriam que ser supridas pelos países desenvolvidos.

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Melhor será buscarmos comparações que nos propiciem real aprendizado de como podemos avançar em nossa economia.

Nesse tema entra o real empreendedorismo. Estamos vendo uma nova onda de empresas surgindo em meio a tantas dificuldades alardeadas a todo tempo! Estamos vendo que os reais empreendedores estão encontrando soluções inovadoras e prosperando. Se comparar os países do BRICS não faz sentido, então vamos comparar-nos com outros países e, mais profundamente, vamos nos comparar com os empreendedores desses outros países. Vamos tomar dois casos: a Argentina e o Canadá.

De imediato podemos ser negativos sobre a Argentina e dizer que o Canadá é uma país rico. Mas vejamos que em todos esses anos de crise, a Argentina não deixou de produzir ótimos vinhos e muita carne, famosa no mundo tal como a carne brasileira. Agora vejamos o Canadá, que na essência natural é muito parecido com o Brasil e tem muita riqueza mineral.

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O que nos surpreende sobre esses dois países é que durante esses últimos 10 a 20 anos, um deles com desafios constantes e outro bem estável, ambos produziram empresas que têm se tornado uma estrela nos negócios e para os investidores. Mas isso não é diferente no Brasil – também produzimos nesse período empresas admiráveis, e mais importante, empresas da nova economia: XP, PagSeguro, Stone, entre outras!

O que isso tudo nos mostra é a real importância do empreendedorismo profissional de alto impacto, transformando nossa realidade a despeito de qualquer crise ou situação econômica. Em algum momento você já se viu como empreendedor? Imaginou o que é necessário para iniciar seu próprio negócio? Lutou para se desfazer de suas dúvidas pessoais e entrar para o clube dos empreendedores independentes? Qualquer empreendedor pode atestar o fato de que iniciar um negócio é incrivelmente desafiador, independentemente das condições econômicas.

Manter esse negócio funcionando e crescendo é tão ou até mais difícil. É necessário compromisso, convicção, intensidade; uma natureza e atitude positivas, e um grande volume de perseverança. O empreendedor vê as barreiras como desafios, os equívocos como oportunidades e acredita que o sucesso é o simples resultado do trabalho duro, árduo – não é sorte, não é destino ou chance!

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O empreendedor que prospera é aquele que está integrado na comunidade, entende os mercados, cria planos de contingência e reage rápido às mudanças econômicas e a realidade de mercado. Muitos empreendedores sempre citam a necessidade de um ou mais mentores, consultores ou executivos com experiência ampla no mundo dos negócios. Eles citam que essas mentorias têm sido valorosas.

Empreendedores são importantes para a economia, disseminam emprego, aumentam a base tributária dos negócios, oferecem serviços e produtos que têm um impacto imenso na economia do país.

E a propósito. Se alguém estava imaginando quem são as empresas admiráveis da Argentina e do Canadá, atualmente, são elas: MercadoLibre e Shopify!

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em dezembro de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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A pandemia e a nova realidade econômica

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Ao iniciar esta análise, já há algum tempo, nem esperávamos que teríamos essa pandemia a nossa frente, e por tanto tempo.

Ao abrirmos a página do site do Banco Central (do Brasil, é claro), e buscarmos o Panorama Econômico, vemos a taxa de juros Selic em 7,75% a.a.; sim ao ano! Ainda além disso, temos o IPCA, nossa inflação oficial em destaque, que nos últimos 12 meses foi de 10,67%.

Nada alentador nesse momento! Isso pois sabemos que essa taxa de juros e inflação alta é muito prejudicial. Precisamos de inflação baixa, estável e previsível que traz benefícios a sociedade.

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Ganhar dinheiro com inflação e taxa de juros é uma ilusão de ganho sem produção de riqueza. Debater os ganhos ou perdas econômicas e financeiras descontadas da inflação é uma discussão vazia e sem substância. Analisar ganhos ou perdas financeiras pela relatividade dos fatos, sejam eles de inflação, taxa de juros ou outros quaisquer é uma dependência desnecessária e danosa.

O Brasil mudou e, certamente, apesar desse momento complexo de alta taxa de juros e inflação, ainda vamos colher muitos benefícios dessas mudanças nos próximos 5 a 10 anos. A disponibilidade interna precisa ser posta para o setor produtivo. Muitos recursos financeiros estacionados no mercado financeiro com um rendimento pela taxa de juros alta, precisam migrar para o setor produtivo. Precisamos de novas e mais, aberturas de capital, os chamados “IPO”, a despeito da pandemia.

Para ilustrar o círculo vicioso anterior, aplicávamos no mercado financeiro, lastreado na sua maior parte em títulos do governo brasileiro, e então o governo nos pagava juros com um recurso que ele próprio, o governo, não tinha. Isso pois o governo é deficitário, não arrecada o suficiente para pagar seus custos, nem tampouco os custos da dívida. E o governo não arrecada, em parte [sabemos que esta parte pode ser debatida, mas é verdadeira] pelo déficit econômico do país, ou seja, economia fraca, pouca geração de riqueza, poucos impostos pagos e pouco dinheiro alocado ao setor produtivo.

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A partir do momento em que esses recursos são aplicados no setor produtivo vemos então esse círculo girar para o sentido positivo, produtivo. Os recursos financeiros que são tomados pelas empresas devem ser de longo prazo, permitindo assim o amadurecimento e a concretização dos objetivos de crescimento e produtividade.

Devemos discutir ganhos de produtividade, de riqueza. Devemos discutir a geração de ganhos que permanecem gerando novos ganhos. Se temos sido admiradores dos países ricos então devemos também ser e replicar a forma em que tais países se enriquecem. As maiores riquezas dos americanos estão associadas a riqueza da economia, refletida nas empresas. Na Europa isso não é diferente!

O Brasil pode, e vai enriquecer, e muito, e desta vez será por meio de empresas ricas que forem construídas ao longo do tempo, pautadas na produtividade e geração de riqueza permanente.

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em novembro de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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A difícil arte das estimativas [e das previsões]

Foto por Mikhail Nilov em Pexels.com

Não é de hoje que os humanos fazem estimativas, ou de uma forma mais popular, previsões. Sejam previsões técnicas ou não, sejam previsões científicas, ou mesmo espirituais e até filosóficas, estamos a todo tempo fazendo previsões.

Em momentos extremos, de bonança ou de miséria, ou mesmo de doenças e ainda de pandemia, todos fazem previsões e tendem a ser catastróficas, pois somente assim temos uma atenção geral. Beiramos o insano em algumas delas sem nos preocupar com as reais consequências na vida de cada um que ouve e interpreta à sua própria maneira tal previsão.

O extremismo em situações de alto risco para a vida, algo fundamental para o ser humano, até pode ser compreensível pois sempre se busca preservar em primeiro lugar a vida de cada pessoa. Por outro lado, na busca de se preservar a vida de cada um podemos no extremismo pôr em risco a vida de toda coletividade e, então, entramos em um dilema de qual propósito vem em primeiro lugar.

Para quem deseja se aprofundar nesse assunto e buscar alguns tipos de dilemas para ilustração e embasamento de suas próprias teorias, há um ótimo recurso dado aos estudantes de direito logo no início do curso – é a leitura do livro: O caso dos exploradores de Caverna, que homonimamente explora as alternativas de sobrevivência que temos em casos extremos de risco iminente de morte na própria preservação da vida.

Deixando a filosofia de lado e indo para nossos dilemas atuais de decisões pautadas na ciência e na previsão, ou estimativas de risco, notamos que o alarde dado a partir desses estudos tem sido muito danoso. Temos nos distanciado do real propósito de se fazer estimativas e previsões. Uma previsão de risco é feita principalmente para se buscar e determinar o real preparo antecipado e necessário para evitar o dano estimado, para se planejar as ações preventivas necessárias e para se reduzir o dano ao mínimo aceitável.

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Ainda há que se pensar em como se fazer uma estimativa. Uma boa estimativa ou previsão de risco e dano precisam de um ótimo diagnóstico. Aí então nos deparamos com mais um desafio de grandes proporções. Se estamos falando da economia, os danos sociais são desastrosos nas recessões e a ação dos governos e da própria iniciativa privada se torna fundamental. Neste caso econômico, apesar de louvável e prontamente necessário, ações de cunho assistencial são paliativos temporários. A essência para uma recuperação econômica está nos investimentos necessários para geração de riqueza, e consequentemente, de trabalho, emprego e renda.

Se falarmos das questões ambientais, estas são mais ambivalentes, pois exceto pelos desastres naturais que acontecem de imediato, os demais danos são percebidos lentamente. E, consequentemente as discussões são mais longas e muitas delas infrutíferas e imperceptíveis no curto espaço de tempo.

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E não há uma solução universal, abrangente e completa para cada caso. A novidade e o desconhecimento são naturais e inerentes às novidades. E vemos que de nada se utilizam previsões catastróficas e pouco embasadas sem diagnósticos profundos e extensamente debatidos.

A realidade é que a responsabilidade repousa em cada um de nós da mesma forma e nas mesmas proporções que nas autoridades, sejam elas de saúde ou de governo. Nossa maior coragem deverá ser de tomar decisões de cunho preventivo e protetivo à saúde e à vida, a começar de cada um de nós mesmos.

Muitas vezes na vida, e me parece agora com a pandemia, ficamos presos em um ciclo de respostas. Apagamos incêndios. Lidamos com emergências. Ficamos lidando com um problema após o outro, mas nunca fazemos nosso caminho de volta para consertar os sistemas que causaram os problemas.

Neste momento, e em muitos outros, deveríamos estar buscando resolver problemas antes que eles aconteçam e não simplesmente fazendo estimativas e previsões.

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em outubro de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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O desafio da gestão remota, mesmo que on-line

Foto por Oleg Magni em Pexels.com

Temos trabalhado, já há tempo, de forma remota, forçada. Se antes essa proposta de trabalho, do escritório em casa e do trabalho on-line, parecia um modismo, algo de vanguarda, durante o tempo de reclusão pela pandemia se tornou uma forma de sobrevivência.

Agora, a questão é: como reagiremos quando começarmos a voltar à normalidade do trabalho presencial, do contato social e da interação humana constante? Muitos de nós, senão a maioria, terá se estruturado de forma dupla, com uma base extra de trabalho em casa, mesmo que ainda preliminar e não completamente organizada.

A produção industrial que já está em grande parte automatizada não deve ter uma grande mudança, talvez uma evolução com maior automação e gestão remota, mas acredito que terá que ser gradual para ser efetiva. Na sequência, temos a logística, que precisa existir e certamente continuará se modernizando, e que tem a característica de ser uma rede intrincada e fundamental para nossa sobrevivência, já que assegura que os produtos uma vez produzidos cheguem aos seus destinos intermediários e finais.

Agora, o comércio e principalmente os serviços, esses sim sofrerão um grande impacto, na maioria dos casos de desafios de se fazer melhor e com menor atrito possível. Mas para que isso aconteça, como fazê-lo de forma remota e pouco presencial? Esse desafio ainda está por vir e ser experimentado por uma grande parte das empresas, no mundo e, principalmente, no Brasil.

Foto por Mateusz Dach em Pexels.com

Nosso estilo cultural, social e de gestão empresarial ainda é de forma muito presencial e interativa. Ainda não estamos tão acostumados a interação remota, rápida e objetiva, nem receber instruções [remotas] e planos de trabalho, interpretá-los e executá-los com efetividade, ou seja, atingindo o objetivo.

Este tema de liderança e gestão empresarial é infindável e a todo o tempo os grandes pensadores e estudiosos, assim como os executores dessas funções discorrem sobre o que acreditam ser os pilares dessa tarefa interna nas organizações empresariais, sociais (ONGs) e, inclusive, governamentais, ou seja, os próprios departamentos de estado e governo. Em uma dessas várias publicações sobre liderança e gestão [empresarial] suportada pelo IMD [uma escola de negócios Suíça], os autores tratam amplamente daquilo que eles chamam, numa tradução livre, de: “Estando lá, mesmo quando você não está: a liderança por meio de estratégias, estruturas e sistemas [processos]”.

Neste momento de retomada após um longo tempo de distanciamento é certo que todos aprendemos a nos comunicar melhor e entender melhor nossas tarefas individuais e coletivas, tanto no extremo daquele que recebe orientações como daquele que dá orientações. Não temos a presença física, algumas vezes temos o visual on-line, naturalmente com alguma limitação, e precisamos entender um ao outro, executar uma tarefa ou procedimento e atingir um objetivo. Os estudiosos lançaram um conceito que podemos sintetizar entre a atividade de gestão “na” empresa versus gestão “da” empresa!

Foto por Baihaki Hine em Pexels.com

Com o distanciamento social devido a pandemia e o consequente distanciamento empresarial, devemos ir além do aprendizado prático, que provavelmente tivemos, e buscar ainda mais um aprendizado teórico e concreto de gestão remota. Isso pois nossas organizações, empresariais ou de qualquer outra natureza vão em muito depender da nossa capacidade dessa forma de gestão para sobrevivência nesse novo momento que já está sendo chamado de “novo normal”.

Uma nova realidade em que não há mais espaço para se atingir os objetivos apenas estando lá e, sim, o de atingirmos nossos objetivos refletindo nossa presença mesmo não estando lá, não estando presente no dia a dia das tarefas em que somos parte constantemente.

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em setembro de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Todos querem mandar

Foto por Deva Darshan em Pexels.com

Já não é de hoje que todos querem mandar, tomar decisões de atuação a ponto de interferir na vida dos outros. A pandemia do vírus trouxe à tona esse comportamento de forma mais acentuada.

Em prol do “bem da coletividade” todos mandam e tomam atitudes de mando sobre os outros. Porém, as decisões que realmente precisam ser tomadas, como por exemplo, atrasos nos processos econômicos e sociais que poderiam nos levar a melhores condições de enfrentar esta e outras pandemias que virão, ficam para trás.

Sem contar os processos judiciais que continuam em grandes volumes atrasados no tempo e na própria lógica da justiça.

Quem acreditaria há 5 ou 10 anos que o poder das mídias sociais, e de fato o poder do Facebook e outros semelhantes seria tão grande como se nota atualmente. Há pouco tempo, o Facebook tomou uma ação mundial de cancelamento de contas, inclusive de governos. Quem diria que isso aconteceria!

Já tratamos desse tema da responsabilidade das mídias sociais como canais de manifestação individual e coletiva que se alastram e algumas vezes passam dos limites. Com a internet e as várias plataformas sociais, todos podem mover informações, verdadeiras ou falsas, todo o tempo. Mas qual é o limite para isso?

Muitas dessas plataformas estão operando sob uma nova estrutura, não somente tecnológica, mas também – e de forma acentuada – em uma nova estrutura social, cultural e legal [conforme novas leis, quando existem]. Algumas delas buscam atender certas necessidades sociais semelhantes em vários países, outras são mais orientadas a tópicos ou grupos que têm necessidades e desejos comuns. A maioria delas está disponível em todo o mundo, na língua ou no idioma local.

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Há alguns anos quando tratamos do assunto, o foco da discussão era mais voltado para as plataformas tipo Airbnb e Uber, e o processo de ruptura que tais plataformas tinha causado nos negócios semelhantes, estruturados de forma diferente. Na mesma época já se iniciava uma discussão das chamadas fake news. Nos dias atuais, com a pandemia, e com todos ainda mais conectados, esse efeito se acentuou e se incendiou, levando as pessoas a uma verdadeira batalha social em que o ringue de luta principal é uma plataforma de comunicação social.

E nesse momento com esse ringue aberto para batalhas, todos se sentem no direito de mando. E como se cobra de cada uma delas uma ação forte contra o uso indevido de sua plataforma, então se manda fechar algumas contas que feriram suas regras. Afinal quem manda e quem quer mandar mais!

Mas, apesar de não sermos cada um de nós responsáveis por aquilo que acontece coletivamente, por meio das organizações e empresas de forma geral, nem por meio das mídias sociais, somos de certa forma, sim, responsáveis – talvez não passíveis de culpa – por aquilo que permitimos outros fazerem por meio das nossas plataformas.

Podemos não promover nem incentivar o comportamento alheio desregrado, mas ainda em nossas atividades pessoais e profissionais precisamos manter nossa linha moral, ética e buscar atender as leis, regulamentos e regras. E nos casos de discordância, devemos nos valer principalmente das associações regularmente estabelecidas para esse fim, e com tal propósito, o de buscar um equilíbrio nos extremos que vemos no nosso dia a dia.

Foto por Sora Shimazaki em Pexels.com

Acredito que ainda temos um longo caminho de discussão desse tema, que envolve a liberdade de expressão por meio das mídias sociais e o real poder de controle que se tem e se pode exercer sobre uma sociedade.

Enquanto isso, no mundo dos negócios, precisamos aumentar nossa atenção para o modo como outros tomam vantagem da nossa atividade empresarial, por meios não tão moralmente aceitos, nem muito éticos e ainda eventualmente não legalmente aceitáveis.

A falta de lei e o simples direito de ir e vir, não torna algo ou certos atos e fatos, apropriados e justos.

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em agosto de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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O primeiro ano do resto de nossas vidas

Foto por Laura Tancredi em Pexels.com

Entramos no segundo semestre de 2021 e como já sabemos, vamos terminar o ano de forma diferente, muito diferente. Com toda essa instabilidade e volatilidade, é impossível prever como serão os últimos meses até o fim deste ano, e mais difícil ainda como será o próximo e os próximos anos de nossas vidas.

Instabilidade costumava ser uma característica do estado ou condição em que as instituições e a ordem política de um país sofriam quando estavam permanentemente ameaçadas; ou ainda falta de solidez da ordem política, social ou econômica. Agora essa instabilidade chegou em nossas vidas diárias. E temos também a volatilidade, que na física é caracterizada pelo elemento que pode passar do estado líquido para o gasoso, mas que na realidade tem um sentido figurado de inconstante, tal como nossa situação atual perante a pandemia.

Enquanto lutamos para nos adaptar a essa nova realidade da vida cotidiana, já há muito tempo nessa nova realidade, vemos a cada dia uma nova síndrome se formar e instalar.

Uma das síndromes mais comuns que vemos é a que chamo de “Síndrome de Pôncio Pilatos”. Conta a história bíblica que o então governador [Pôncio Pilatos] entregou à multidão o dilema de qual dos dois homens deveria deixar livre: Barrabás ou Jesus; e percebendo Pilatos que não conseguia demover o povo [de libertar Barrabás e crucificar Jesus], ao contrário, quando um princípio de tumulto já era visível, ordenou que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante da multidão e exclamou: “Estou inocente do sangue deste homem justo. Esta é uma questão vossa!”

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Desde o início da pandemia temos sempre colocado toda nossa decisão sob a responsabilidade da OMS; e temos visto que a Organização Mundial da Saúde não tem todas as respostas, muito menos todas as respostas corretas. Na sequência, nós mesmos estamos dando nossas próprias opiniões, orientações e definições diferentes a todo o tempo. Mas, afinal, o que fazer? É preciso voltar para as máximas da vida: voltemos para o básico, para o essencial, o fundamental.

Em sua pirâmide, Maslow define cinco categorias de necessidades humanas: fisiológicas, segurança, afeto, estima e as de autorrealização, onde na base se encontram as necessidades mais básicas já que estas estão diretamente relacionadas com a sobrevivência. Estamos vivendo um momento de nos voltarmos para as necessidades básicas [de sobrevivência], fisiológicas e de segurança.

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Identificamos como necessidades básicas, fisiológicas, sede, fome e abrigo. Precisamos estar certos de que temos e teremos nesse tempo de pandemia o suficiente, não importa a forma, de alimentos para saciar nossa fome, água para matar nossa sede e abrigo, que representa nossa moradia.

Em seguida temos as necessidades de segurança que a princípio pode nos levar a uma interpretação pura de violência física. Porém, o que precede essa violência física é a violência econômica e social derivadas da pandemia. Essa violência é primariamente relativa à insegurança e a instabilidade no trabalho e o risco de não poder planejar e cuidar do orçamento familiar para atender as necessidades de sede, fome e moradia.

Foto por Ali Arapou011flu em Pexels.com

De um lado temos o eventual extremismo de tomarmos nossas ações sem considerar o entorno, o que pode ser uma atitude inapropriada e inconsequente para nós mesmos e para aqueles que estamos buscando proteger; mas, também, simplesmente tomar uma atitude de acreditar que podemos sempre lavar nossas mãos como Pilatos, atribuindo a responsabilidade das consequências a uma ou outra organização nos parece o outro lado extremista.

Nitidamente buscar o equilíbrio em meio a pandemia tem sido um dos maiores desafios nestes tempos de reclusão e isolamento. Saber seguir as orientações com discernimento e cuidado, sem exageros e com clareza, sem perder o propósito principal, que é a preservação da vida.

Afinal, este é o primeiro ano do resto de nossas vidas, que já tem sido e será sempre muito diferente de qualquer imaginação que possamos ter tido anteriormente.

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em julho de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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O dia depois de amanhã

Foto por Chris Czermak em Pexels.com

Como seria bom se pudéssemos ler o jornal de depois de amanhã.

Todas essas dúvidas incessantes de como será nosso dia a dia depois da pandemia estariam esclarecidas. Mas nem nós e, me parece ninguém, tem essa prerrogativa: a de saber o futuro. Podemos sim trabalhar com expectativas e hipóteses, mas somente para tratar o hoje com vistas a amenizar o amanhã.

Todas as grandes empresas estão fazendo previsões sobre como serão os negócios no futuro pós-pandemia, um futuro, inclusive, que já tem sido chamado de novo normal.

Dentre as grandes auditorias, uma delas, a PwC, tem publicado e atualizado rotineiramente uma pesquisa americana e global, denominada “COVID-19 Pulse reports”. Buscando alguma convergência de expectativas, na pesquisa publicada já há 1 ano, que neste momento pode até estar um pouco ultrapassada devido a dinâmica do momento, tivemos quatro grandes tópicos que se destacaram:

  • O descritivo da rotina de volta ao trabalho deve redesenhar como as tarefas serão feitas; isso pois quase a metade dos pesquisados (49%) disseram que o trabalho remoto está aqui para ficar para certas funções. Consequentemente, as empresas já estão reconfigurando o ambiente de trabalho;
  • Proteger a saúde das pessoas deveria e tem estado no topo; uma grande maioria (77%) planejou e tem adotado medidas de segurança [de saúde]: testes [exames de saúde] tem ocorrido frequentemente e ainda se espera um aumento nos pedidos de ausência por doença e outras razões;
  • Impactos substantivos [significativos] eram esperados nos resultados de 2020, e aconteceram; entretanto, um pouco diferente pois houve um efeito grande nas economias pelos incentivos governamentais direto ao cidadão;
  • As pressões de custos deveriam se intensificar; as demissões que ocorreram já estão se revertendo e o controle de custos tem ocorrido, mas muitos investimentos planejados têm sido mantidos.

Enquanto todas essas expectativas são confirmadas, ou não, ao longo do tempo conforme o retorno ao trabalho se desenrola, temos algumas percepções mais tangíveis e mais próximas de nós nesse momento. O que devemos notar conforme voltamos ao trabalho são substancialmente decorrentes de alguns fatores típicos e simples do nosso dia a dia, como segue:

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  • Ida [e volta] ao trabalho e demais lugares: um dos primeiros movimentos que veremos a nossa volta será derivado da própria e real ida e vinda do trabalho – mesmo que tenhamos tido muito trabalho remoto ao longo dessa reclusão, certamente uma grande maioria tanto estará ansiosa como, de fato, precisará retornar presencialmente ao seu trabalho para desempenhar suas funções. E isso causará, e de fato está causando, um certo alvoroço tanto no transporte público como em todo o trânsito das cidades;
  • Nossa aparência: conforme retomamos nossas atividades em público, fora de nossas casas e de nosso conforto e discrição, nossa aparência novamente será notada. E certamente essa necessidade irá muito além do mero corte de cabelo. Teremos novo comportamento associado ao uso de s máscaras, ao distanciamento físico, tanto social como profissional, e entraremos em um novo processo de retomada de consumo – o comercio deverá ser muito beneficiado pelo retorno ao trabalho;
  • A reconfiguração dos locais não somente de trabalho, mas também de compras e entretenimento; as rotinas de abertura e fechamento, bem como o uso diário dos espaços nos restaurantes, nas lojas, nos escritórios e nas fábricas, mesmo aquelas que permaneceram produzindo, já terão uma nova realidade. A própria limpeza e compartilhamento dos lugares estão sendo revistos e repensados.

Como conselheiros, executivos e dirigentes de empresas podemos pensar estrategicamente o dia seguinte na retomada e reabertura das atividades. Mas como cidadãos veremos diariamente as consequências diretas na nossa vida individual e coletiva, tanto familiar como social e profissional, de uma retomada das atividades depois um período de reclusão sem precedentes na história recente da humanidade.

E de fato ainda saberemos como será o dia depois de amanhã!!!

E nesse tempo de retomada notaremos que todos nós mudamos, e muito, e ainda teremos que continuar mudando, para sobrevivermos.

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em junho de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Estamos 30 anos atrasados, será mesmo?

Foto por Guillaume Meurice em Pexels.com

Há quem diga que estamos com 30 anos de atraso em relação aos Estados Unidos. Várias vezes, já lemos e assistimos matérias jornalísticas a esse respeito. Inclusive, baseados em uma dessas reportagens, pudemos falar das reais oportunidades que o Brasil apresenta para os investidores, sejam eles locais ou mesmo internacionais.

O atraso em si tem uma conotação ruim, mas denota uma real oportunidade para os brasileiros que querem empreender, na forma mais legítima da palavra. Recentemente, tivemos um grande exemplo de empreendimento, como chamado no livro, “Na Raça”, do Guilherme Benchimol, com a XP! Destacar um ponto de vista, da oportunidade real e subjacente que existe no mercado, a todo tempo, se torna difícil sem um exemplo concreto.

A XP e seu fundador são exemplos latentes no momento e, certamente, há muitos outros que cada um de nós vê no seu dia a dia, ao seu redor. E aqui vemos um ponto diferencial, pois se estamos 30 anos atrasados em relação aos Estados Unidos, isso para o fundador da XP foi exatamente, uma oportunidade. De forma sucinta o livro comenta que Benchimol e seus sócios foram à feira do banco americano Charles Schwab e copiaram o modelo. A partir dali, tentaram convencer as pessoas a deixar os grandes bancos, algo inconcebível até aquele momento no Brasil.

Talvez não com essa consciência e raciocínio, mas com se diz na capa do livro, “Na Raça” e, portanto, sem constrangimento e vendo o atraso Brasileiro, o fundador da XP copiou um modelo americano e transformou a realidade brasileira: … não sabendo que era impossível, foi lá e fez!

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Essa investida da XP nesse mercado é o típico exemplo do Oceano Azul,  um conceito de negócios, apresentado em um livro de mesmo nome, que diz que a melhor forma de superar a concorrência é parar de tentar superá-la. Ou seja, buscar mercados ainda não explorados, chamados pelos autores do conceito de “oceano azul”. Na metáfora marítima, o oceano azul é um local em que se pode nadar livremente enquanto os mercados já saturados são o “oceano vermelho” em decorrência do sangue derramado nas batalhas entre os concorrentes. Inclusive essa proposta traz os seis princípios do oceano azul que são:

1 – Reconstruir barreiras no mercado

2 – Concentrar-se no panorama geral

3 – Ir além da demanda existente

4 – Formular a estratégia na sequência adequada

5 – Superar os obstáculos organizacionais

6 – Orientar a execução estratégica

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“É um conceito que foca na inovação do modelo de negócio e sua principal ferramenta é a curva de valor. É um tanto idealizador e segui-lo à risca pode ser frustrante, porque a maioria das empresas não consegue encontrar um oceano azul – isso é uma exceção – mas a essência do conceito ajuda as empresas a se repensarem, a tentarem inovar na sua curva de valor e isso é muito positivo”, diz Marcelo Pereira Binder, professor da FGV-EAESP. Foi o que aconteceu com o início da XP, que passou a atender um público que ninguém atendia [ou fingia que atendia], de uma forma que ninguém fazia.

A comparação com o modelo de Charles Schwab já está em vários meios de comunicação americanos, e toda essa onda de admiração gerando uma vantagem competitiva tende a aumentar e transpor fronteiras.

E quantas outras oportunidades existem de natureza semelhante no Brasil? Quantos outros oceanos azuis existem?

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em maio de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Estamos todos conectados

Gosto de associar momentos que estamos vivendo com alguma música que possa expressar, em palavras e melodia, nosso sentimento. Estamos vivendo um momento único, que mesmo que essa expressão pareça repetitiva e óbvia, e com muito que se está dizendo por aí, ainda acredito que a pandemia do vírus na nossa geração é única!

Também gosto de lembrar dos filmes que tentaram predizer eventos catastróficos futuristas e sempre noto que na maioria deles, infelizmente, a realidade se torna muito mais catastrófica do que previsto. De todos os filmes que temos visto sobre contaminação viral, nada se compara ao que estamos vendo agora. Independentemente de ser ou não proposital ou acidental, essa pandemia, sim, tem natureza de guerra biológica.

Uma guerra tem a característica e objetiva atingir o maior número de pessoas ou coisas que causem danos às pessoas ou àquilo que às sustenta; a pandemia desse vírus tecnicamente nominado de COVID19, atinge o maior número de pessoas sem barreiras e de forma imperceptível; ainda causa dano a todo sistema social e econômico, e vice-versa, já que uma das poucas barreiras aparentemente apropriadas é o isolamento social.

E se esse isolamento social é uma barreira para a progressão do vírus, essa barreira social é o contraponto para o cuidado daqueles infectados e ainda causa um dano irreparável na economia. Talvez assim que superado e barrada a progressão da contaminação possamos voltar ao nosso convívio social com os consequentes benefícios econômicos da sociedade.

Mesmo assim, o dano causado pela interrupção da vida em sentido amplo nunca será recuperado. Enquanto isso não faltam ofertas de opiniões, sugestões e recomendações sobre como viver esse momento – único e novo a todos nós!

Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com

Há algum tempo, em épocas festivas, muitas propagandas prescreviam se desconectar dos meios eletrônicos de toda natureza, mídias sociais, grupos privados, internet, televisão (ainda existe televisão), para se conectar social e fisicamente com nossos queridos, agora a ordem de defesa é o oposto: se desconectar física e socialmente das aglomerações para se conectar. Muitos já previram que o mundo se tornaria cada vez mais digital e virtual, e menos real, mas tais previsões foram por outras razões – o vírus é uma razão forçada e, esperamos, momentânea.

Enquanto isso, então, o que fazer? Nesse período de reclusão, de distanciamento social comum e típico, de distanciamento do real trabalho em equipe que tanto se propaga, como cuidar desse período em que todas as prioridades mudam? De certa forma acredito que nosso desafio está mais em nós mesmos do que na oferta de sugestões – não faltam recomendações do que se fazer e, ainda, como se fazer. Mas, antes, porém, precisamos ter em nós mesmos a clareza do que precisamos fazer de forma essencial.

Nos primórdios empresariais e de empreendedorismo, se discutia muito o chamado plano de contingência, que tinha no seu bojo a retomada e manutenção ativa dos negócios em caso de catástrofe. Estamos vivendo uma catástrofe e percebemos que, de certa forma, não estávamos preparados para ela. Apesar de se apregoar continuamente que podemos trabalhar remotamente todo o tempo, o tempo todo, vimos claramente que essa hipótese não é tão executável assim como se parecia. No sentido estrito de trabalho, sim, cada um de nós pode supostamente fazer isso, mas, e todo o aparato que temos nos suprindo o tempo todo, e que agora se desfez?

Foto por Valeria Boltneva em Pexels.com

Me valendo da reflexão de Andreas Kluth na página da Bloomberg Opinion, em 26 de março de 2020, a pandemia nos lembra várias coisas. Primeiro, somos em nossa essência criaturas off-line e analógicas, não on-line e digitais. Não podemos morder bytes, comer algoritmos ou desinfetar com antivírus computacional. Alguém tem que plantar, colher, produzir e entregar nossa comida, alguém tem que cuidar dos doentes. Se essas pessoas nos abandonam ou morrem, somos todos vulneráveis.

O vírus também nos lembra que, apesar de dividirmos nossas tarefas por eficiência, somos todos, finalmente iguais. O vírus infecta as classes alta, média e baixa; não solicita diplomas universitários, não cobra impostos, não pede passaportes ou documentos de migrantes.

Para sobreviver à pandemia, ainda contamos com todos para comparecer ao trabalho remotamente, ou mesmo localmente. Portanto, à medida que governos e empregadores preparam seus planos de resgate, eles devem reconhecer quem carrega qual ônus e qual risco e compensá-los com respeito e dinheiro, durante e depois da crise.

E nós – como cidadãos, consumidores, trabalhadores e pacientes – devemos fazer nossa parte.

A lição final é esta: estamos todos conectados.

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em abril de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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Admirável mundo globalizado

Temos acompanhado de perto e com muitos detalhes o desenrolar surpreendente das consequências e dos riscos do coronavírus, tecnicamente chamado de Covid-19. A velocidade da contaminação tem sido alarmante, assim como o número de mortos. Há um esforço de todos para conter a contaminação com impactos reais na vida de cada ser humano do planeta. Desde a contenção física daqueles mais próximos até a contenção de mobilidade de outros, mesmo que distantes.

Os governos e órgãos econômicos continuam mantendo estimativas alarmantes para uma retração econômica longa. O mundo globalizado está pautado em uma dinâmica da produção mais eficiente e em maior volume no melhor lugar. Essa dinâmica coloca uma dependência de todos para o suprimento global uma vez que grande parte desse suprimento está regionalizado.

A globalização, sempre tida como uma ordem irrefutável e de certa forma benéfica para todo o planeta, agora apresenta de forma mais perceptível suas fraquezas. Quando discutimos a globalização de produtos e serviços e a possibilidade de nos suprirmos das nossas necessidades de qualquer ponto da face da terra, raramente nos damos conta de que um impedimento nessa comunicação e na movimentação de materiais e pessoas podem comprometer todo o sistema.

E vamos além disso – raramente nos damos conta de que temos uma infinidade de alimentos e coisas em nossas casas que nem sabemos de onde vieram, como vieram e quem foram aqueles que produziram. A beleza da globalização nos traz essa harmonia e sonoridade da integração global. Cada um de nós representa uma conexão produtiva no mundo e tanto suprimos como nos beneficiamos dela.

Já tivemos vários outros momentos de ruptura momentânea por outros vírus que se espalharam pelo mundo, mas o que nos torna mais vulneráveis agora é que a cada ano que passa estamos mais interconectados na cadeia produtiva e de suprimentos. Inclusive as catástrofes naturais já têm tido um grande impacto global.

Apesar de futurista em relação ao ser humano, a obra de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, naquela época há quase 100 anos, mostra uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. O que ocorre é que no mundo industrial globalizado atual, já estamos vivendo algo semelhante, em um ambiente de produção que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade. E tudo isso em uma cadeia global de suprimentos!

O que Aldous Huxley não pôde prever, e nem a nossa sociedade tem sido capaz de prever, é a pura realidade humana inserida nesse contexto. O ser humano por natureza adoece, se contamina e se compromete com o seu entorno, e nosso instinto de preservação racional nos leva a ações de contenção e cuidado.

Mesmo como toda evolução biotecnológica farmacêutica na produção de vacinas, a evolução e a mutação desses vírus [e bactérias] está acontecendo em uma velocidade enorme e nós, seres humanos, não temos sido capazes de contê-los!

Enquanto a vacina não chega até cada um de nós, individualmente, nos resta termos precaução e estarmos alertas a todo o tempo.

Texto revisto e atualizado, da versão originalmente publicada em março de 2020 no blog do autor na ACIC. Jarib B D Fogaça é sócio na JFogaça Assessoria, Diretor Adjunto na ACIC, e conselheiro independente.

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